O Brasil enfrenta o Japão nesta segunda-feira (29), às 14h, no horário de Brasília, no NRG Stadium, em Houston, nos Estados Unidos, pelos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026. Em campo, o duelo vale vaga na próxima fase. Fora dele, o encontro entre os dois países também ajuda a observar a relação entre produção, consumo e comércio internacional de proteína animal.
A comparação ganha força porque o Japão é um mercado reconhecido por exigências sanitárias, regularidade de abastecimento e consumo diversificado de proteínas. Para o Brasil, o país asiático representa um destino relevante em cadeias como carne de frango e carne suína, além de simbolizar o desafio de acessar mercados de alto valor agregado com produtos de origem animal.
Japão como mercado estratégico
Na carne de frango, a conexão comercial entre Brasil e Japão já aparece nos números. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o Japão foi o segundo principal destino das exportações brasileiras do produto em maio de 2026, com 43,2 mil toneladas embarcadas, alta de 53,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de janeiro a abril, os embarques ao mercado japonês somaram 152,1 mil toneladas, crescimento de 23,5%.
A carne suína também reforça essa relação. Dados da ABPA e da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, entre janeiro e abril de 2026, o Japão importou 59,9 mil toneladas de carne suína brasileira, avanço de 75% sobre o mesmo período de 2025. No ranking do período, o país respondeu por 11% do volume exportado pelo Brasil na proteína, atrás apenas das Filipinas.
Para o presidente da ABPA, Ricardo Santin, os resultados recentes foram obtidos mesmo em um ambiente internacional de incertezas logísticas. Segundo ele, o Brasil ampliou presença em “mercados estratégicos e de valor agregado, como Japão, União Europeia, Coreia do Sul e China”, o que demonstra “a diversificação da pauta exportadora brasileira e a competitividade da nossa cadeia produtiva”.

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Proteínas em alta
O desempenho brasileiro não se limita ao mercado japonês. Em maio de 2026, as exportações do agronegócio somaram US$ 16 bilhões, alta de 8,2% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O setor respondeu por 50,2% das exportações totais do País no período. No acumulado de janeiro a maio, as vendas externas do agro chegaram a US$ 70,5 bilhões, recorde para os cinco primeiros meses do ano.
As proteínas animais foram um dos principais motores desse resultado. De acordo com o Mapa, carne bovina, carne de frango e carne suína registraram recordes de valor e volume para o mês de maio. Somadas, as proteínas animais alcançaram US$ 3,2 bilhões em exportações, avanço de 38% na comparação anual.
Na carne bovina in natura, o Brasil exportou US$ 1,7 bilhão em maio, com 262 mil toneladas embarcadas. No acumulado de janeiro a maio, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC), o País exportou 1,388 milhão de toneladas de carne bovina, alta de 15,3%, com receita de US$ 7,88 bilhões.
Cadeias além das carnes
A oferta brasileira de proteína animal também passa por ovos, leite e aquicultura. Na produção de ovos, a ABPA aponta que o Brasil encerrou 2025 com 62,3 bilhões de unidades produzidas e consumo per capita de 288 ovos por habitante ao ano. O segmento tem papel relevante na oferta de proteína acessível ao consumidor e depende de genética, nutrição, biosseguridade, ambiência e gestão de custos.
Na aquicultura, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a produção brasileira de peixes chegou a 724,9 mil toneladas em 2024, crescimento de 10,3%. A tilápia respondeu por 68,9% do total produzido, com 499,4 mil toneladas, consolidando-se como a principal espécie da piscicultura nacional.
O jogo contra o Japão também permite observar um ponto importante para a cadeia bovina brasileira: a presença em mercados de alto valor depende de negociações sanitárias, habilitação de plantas, rastreabilidade e confiança institucional. Mesmo quando o acesso ainda está em construção, como ocorre em determinados segmentos e mercados, o processo evidencia que competitividade internacional envolve mais do que volume de produção.
No dia em que Brasil e Japão se enfrentam na Copa, a proteína animal brasileira mostra que também participa de uma disputa global por qualidade, regularidade e confiança. Dentro de campo, a Seleção busca avançar no torneio. Fora dele, frango, suínos, bovinos, ovos e pescado reforçam o papel do Brasil como fornecedor estratégico de alimentos para diferentes mercados.





