Ariovaldo Zani
A escalada das tensões no Oriente Médio e as interrupções em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz (estabelece acesso entre o Golfo Pérsico e o Mar Arábico) e, potencialmente a via marítima “Bab el-Mandeb” (elo de ligação ao Mar Vermelho que facilita acesso ao Canal de Suez e consequentemente ao Mar Mediterrâneo), reacendem preocupações sobre a resiliência das cadeias globais de suprimento e ampliam o potencial de um choque simultâneo sobre custos, logística e oferta, já que através desses corredores transita parcela relevante do comércio mundial de petróleo, gás natural, fertilizantes e alimentos.
Em 2025, os embarques do agronegócio brasileiro para aquela região somaram US$ 12,4 bilhões (29% de toda pauta exportadora de carne de frango e 6,5% de carne bovina, além de milho, açúcar, etc.), à exemplo do Irã, que respondeu por US$ 2,9 bilhões e absorveu cerca de 22% das vendas de milho, evidenciando a dependência de fluxos específicos e a vulnerabilidade a eventuais disrupções logísticas prolongadas. Por sua vez, as importações, expõem nossa extrema dependência externa por fertilizantes (16% dos nitrogenados têm origem no Oriente Médio), já que a restrição ao tráfego marítimo na região tem comprometido sobremaneira o abastecimento global e inflacionado os preços que influenciam diretamente os custos da produção agrícola.
Os efeitos para o Brasil tendem a se concentrar na dependência por insumos importados e pela exposição comercial ao mercado com implicações (in)diretas para a indústria de alimentação animal, elo intermediário da cadeia agroindustrial e responsável por gerar proteína animal através do milho e farelo de soja, cereal e derivado de oleaginosa, cujas produtividades dependem dos nitrogenados (principalmente ureia oriunda do Irã para vindoura safrinha de milho), fosfatados e potássicos.
A pressão, inclusive, pode acentuar-se pela dinâmica dos preços de energia, já que o cenário de instabilidade no Golfo alavanca o preço do petróleo e influencia diretamente o mercado do méstico por conta do diesel utilizado no plantio, colheita e transporte, além do impacto estrutural resultante do oneroso modal brasileiro de frete rodoviário, responsável pela compressão das margens e redução da competitividade externa.
Leia a matéria completa na edição 228 da revista Feed&Food

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