O movimento “A carne do futuro é animal”, lançado em maio por produtores do Mato Grosso, tem como foco reforçar a importância da carne na alimentação humana e combater a desinformação sobre seu consumo. A iniciativa é liderada pelo coletivo Canivete Pool, que reúne 74 produtores em 27 municípios do estado, e defende que a proteína animal permanece essencial sob os pontos de vista nutricional, social e produtivo.
O grupo destaca que pesquisas recentes, como levantamento divulgado pela Sociedade Vegetariana Brasileira em parceria com o Datafolha, apontam mudanças de comportamento alimentar e percepções sobre o consumo de carne. O movimento afirma que parte dessas interpretações está associada à circulação de informações incompletas ou sem base científica consistente, o que motivou a criação da campanha.
Segundo o médico Juan Pablo Roig Albuquerque, especialista em psiquiatria metabólica e membro do movimento, o debate sobre alimentação precisa estar amparado em evidências técnicas. Ele reforça que a carne possui alto valor biológico e concentra nutrientes importantes, ressaltando que mudanças alimentares sem acompanhamento médico adequado podem trazer riscos, especialmente em fases de desenvolvimento humano, como a infância.

Para os integrantes do movimento, o objetivo não é desestimular a diversidade alimentar, mas esclarecer que dietas restritivas exigem acompanhamento e suplementação adequada. A iniciativa também afirma que, em muitos casos, a carne ainda desempenha papel central no aporte de nutrientes como ferro, vitamina B12 e compostos associados ao desempenho metabólico.
No campo produtivo, o movimento lembra que propriedades integrantes do Canivete Pool seguem modelos de monitoramento ambiental, bem-estar animal e gestão de emissões. Segundo o coletivo, os produtores adotam práticas de manejo que buscam ganhos de produtividade aliados a indicadores ambientais mais equilibrados.
A iniciativa também destaca a importância social e cultural do consumo de carne no Brasil, reforçando sua presença na rotina alimentar e nas relações de convivência. Ao mesmo tempo, sustenta que o país já desenvolve sistemas de produção baseados em pastagens e rastreabilidade, alinhados a conceitos de sustentabilidade.
Sobre a chamada carne produzida em laboratório, o movimento avalia que o produto ainda está distante da realidade de consumo em escala, com desafios relacionados a custo, impacto ambiental e comprovações nutricionais. Para os produtores, a pecuária segue avançando em eficiência e permanece como referência de abastecimento.
Fonte: Movimento “A carne do futuro é animal”, adaptado pela equipe Feed&Food
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