Em material divulgado em 27 de agosto de 2026, o Instituto de Pesca (IP-APTA), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, apresentou suas frentes de pesquisa sobre a presença e os possíveis efeitos dos microplásticos em ambientes marinhos e de água doce.
Os trabalhos buscam gerar evidências para orientar o monitoramento e a prevenção da poluição. A publicação, porém, não apresenta resultados inéditos nem detalha metodologia, cronograma ou amostragem dos projetos conduzidos pela instituição.
Da superfície ao sedimento
Microplásticos são partículas menores que cinco milímetros. Elas podem ser fabricadas nesse tamanho ou surgir da fragmentação de materiais maiores. Efluentes domésticos e industriais, escoamento superficial, descarte inadequado e transporte atmosférico estão entre as rotas de entrada nos corpos hídricos.
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente estima que mais de 430 milhões de toneladas de plástico sejam produzidas anualmente. Na água, as partículas podem permanecer na superfície, circular pela coluna d’água ou alcançar os sedimentos.
Resultados dependem do método
Um estudo publicado em 2020 encontrou média de 330,2 partículas por litro na água bruta do Rio dos Sinos (RS) e 105,8 partículas por litro na água tratada coletada em residências. A análise utilizou o corante Nile Red e microscopia de fluorescência.

O resultado confirma a contaminação, mas não pode ser comparado diretamente com qualquer levantamento. Tamanho mínimo das partículas, coleta e técnica de identificação influenciam as concentrações registradas, segundo o Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia.
Respostas dos peixes variam
Nos peixes, pesquisadores investigam ingestão acidental, contato com as brânquias e alterações digestivas, metabólicas e comportamentais. Segundo Katharina Eichbaum Esteves, pesquisadora do IP, o acúmulo pode provocar falsa saciedade e reduzir a alimentação.
Uma meta-análise publicada em 2026, baseada em 114 experimentos, concluiu, contudo, que os efeitos variam conforme tamanho, formato e composição das partículas. Crescimento, mobilidade e eclosão apresentaram alterações mais consistentes, enquanto o comportamento alimentar mudou pouco no conjunto dos estudos.
Microplásticos também podem transportar aditivos e poluentes adsorvidos. Experimentos confirmaram a transferência de alguns compostos para peixes, mas em níveis baixos. A relevância dessa rota, comparada à exposição pela água e pelos alimentos, permanece em discussão.
Financiamento e prevenção
Pesquisadores do IP participam do Centro de Engenharia da Plasticultura, sediado na Unicamp e apoiado pela FAPESP e pela Braskem. O grupo estuda polímeros, reciclagem e economia circular.
Redução das perdas na origem, coleta adequada, saneamento, preservação de matas ciliares e monitoramento padronizado estão entre as medidas necessárias para diminuir a chegada de plásticos aos sistemas aquáticos.



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