O primeiro painel do XX Encontro Regional da ABRAVES Paraná reuniu especialistas nesta quarta-feira (11), em Toledo (PR), para discutir cenários atuais e futuros da suinocultura e do agronegócio brasileiro. Com o tema “Cenários atuais e futuros: oportunidades para transformação (parte 1)”, o debate abordou desde os impactos da desinformação na tomada de decisões até cultura organizacional no agro e perspectivas de mercado para a cadeia de suínos.
A abertura contou com a participação do cientista político Fernando Schüler, do Insper e da BandNews. Em sua apresentação, o especialista destacou desafios institucionais que influenciam o ambiente econômico brasileiro. “O Brasil tem dificuldade em seguir a regra do jogo”, afirmou. Para ele, muitas decisões ainda passam por relações pessoais. “O que vale mesmo no Brasil são as relações interpessoais.”

Schüler também apontou avanços recentes em infraestrutura e ressaltou que reformas estruturais seguem sendo fundamentais para ampliar o potencial econômico do país. “O Brasil vem avançando na área de estradas e infraestrutura”, disse. Segundo ele, mudanças institucionais devem permanecer no centro do debate político. “As reformas são extremamente importantes e serão discutidas nas eleições.”
Na sequência, o consultor e palestrante Evandro Damasio trouxe reflexões sobre cultura organizacional e inovação no agronegócio. Durante sua fala, destacou o papel estratégico da produção de alimentos no mundo. “O que move o mundo não é a tecnologia e sim a comida”, afirmou.
Damasio também chamou atenção para a dinâmica de ciclos que caracteriza o setor. “O agronegócio não vive de planejamento, ele vive de ciclos”, disse. Para o consultor, disciplina operacional e gestão eficiente são fundamentais para lidar com riscos e manter a competitividade. “Erro se torna boleto no agro”, destacou.

Crédito: Feed&Food
Encerrando o painel, o economista Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea/Esalq-USP, apresentou uma análise do cenário econômico da suinocultura e das perspectivas para os próximos anos. Durante a palestra, destacou que eficiência produtiva será determinante para a competitividade da cadeia. “Tem que ter eficiência, se não está fora do jogo”, afirmou.
Carvalho também alertou para a volatilidade das commodities e para fatores macroeconômicos que impactam diretamente a produção. “As commodities são voláteis e a suinocultura é uma commodity”, disse. Segundo ele, custos logísticos e preços de insumos seguem entre os principais pontos de atenção do setor. “O preço dos insumos disparou, diesel e frete marítimo subiram.”
Em entrevista exclusiva à Feed&Food durante o evento, o economista avaliou que o cenário para 2026 pode ser favorável à suinocultura, especialmente no curto prazo. “Temos um primeiro semestre de custos baixos, o que é um driver importante. Por mais que exista uma pressão internacional geopolítica de custos mais elevados por causa da guerra, o cenário para a soja e o milho ainda é favorável”, afirmou.
Segundo Carvalho, produtores devem acompanhar fatores estratégicos que influenciam diretamente o desempenho da cadeia. “Ao pensarmos na dinâmica de produção do primeiro semestre e em um consumo melhor no segundo, os grandes pontos de atenção para a suinocultura são o câmbio, as questões sanitárias e o acesso a mercados mundiais”, disse.

Crédito: Feed&Food
O especialista também destacou que eficiência produtiva e uso de tecnologia serão determinantes para manter a rentabilidade da atividade nos próximos anos. “O segredo é ser eficiente: produzir mais quilogramas com menor uso de ração”, afirmou. Para ele, conhecer os indicadores produtivos e financeiros da granja é essencial para a tomada de decisão. “O uso de tecnologia é o grande driver, além de conhecer os números da granja e da atividade.”
Carvalho avalia que o cenário internacional segue abrindo oportunidades para a proteína brasileira. “Costumo dizer que, para o agronegócio brasileiro em geral, o cenário externo é um ‘oceano azul’ de oportunidades, e para a suinocultura não é diferente”, afirmou. Segundo ele, a redução da produção em algumas regiões do mundo amplia o espaço para a carne brasileira. “O mundo precisa de uma carne barata e saudável, e o Brasil tem condições de produzi-la.”
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