O aumento dos custos de produção, a instabilidade cambial e as mudanças trazidas pela reforma tributária estão transformando a forma como o agronegócio brasileiro lida com os tributos. Cada vez mais, produtores rurais e empresas do setor passam a incluir a chamada inteligência tributária no planejamento estratégico anual das operações.
Levantamentos da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam aumento significativo dos custos operacionais nas últimas safras. Ao mesmo tempo, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram compressão das margens em diversas cadeias produtivas do campo.
Nesse contexto, o imposto deixa de ser tratado apenas como obrigação fiscal e passa a integrar a gestão financeira do negócio.
Segundo Altair Heitor, contador e especialista em gestão tributária voltada ao agronegócio, o setor começa a aplicar ao tema tributário o mesmo nível de planejamento dedicado à produção e ao financiamento das safras.
“O produtor sempre planejou safra, insumo e financiamento. Agora começa a planejar o tributo com a mesma seriedade, porque percebeu que existe impacto direto no caixa”, afirma.
A mudança também está relacionada à percepção de que créditos tributários podem funcionar como instrumento de liquidez e previsibilidade financeira. Em um cenário de margens mais apertadas, a recuperação e a gestão desses créditos passam a influenciar decisões de investimento e expansão.
Paralelamente, a digitalização da fiscalização tem elevado o grau de controle sobre as operações. Sistemas eletrônicos ampliaram o cruzamento automático de dados entre empresas e órgãos fiscais, reduzindo a margem para erros formais e exigindo maior organização contábil das atividades rurais.

Além disso, políticas públicas recentes voltadas à liberação de créditos acumulados reforçaram o potencial dos tributos como fonte legítima de recursos para as empresas.
De acordo com Heitor, a inteligência tributária começa antes mesmo da recuperação de créditos. O processo envolve revisão de procedimentos, correta classificação das operações e acompanhamento constante das mudanças na legislação.
“Não se trata apenas de pedir restituição. É entender como a operação está estruturada, onde o crédito nasce e como ele pode ser habilitado sem gerar risco fiscal”, explica.
O tema ganha ainda mais relevância diante da reforma tributária em andamento, que tende a alterar a lógica de apuração e a transparência dos impostos ao longo da cadeia produtiva. Mesmo antes da implementação completa do novo modelo, produtores e empresas do setor já avaliam possíveis impactos no fluxo de caixa e na formação de preços.
Para o especialista, adiar esse tipo de análise pode comprometer a competitividade. “Quem deixa para reagir depois perde tempo e dinheiro. O planejamento tributário passou a ser uma variável estratégica, não mais apenas um ajuste de fim de exercício”, afirma.
Em cadeias produtivas com margens estreitas, a recuperação de créditos pode fazer diferença direta na capacidade de investimento do produtor.
“O tributo deixou de ser apenas custo fixo e passou a ser um ativo financeiro. Quem sabe recuperar, habilitar e utilizar esses créditos transforma o imposto em estratégia”, conclui.
Fonte: Altair Heitor, Adaptado pela equipe da Feed & Food.
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