A produção de biodiesel em Mato Grosso avançou em março e levou o estado a responder por 26% do volume nacional, segundo boletim divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) na segunda-feira (4). O resultado reforça o peso do estado na cadeia de biocombustíveis, especialmente pelo uso do óleo de soja como principal matéria-prima.
Ao todo, as usinas mato-grossenses produziram 228,36 mil metros cúbicos de biodiesel no mês. O volume representa o maior nível da série histórica do estado e crescimento de 16,90% em relação a fevereiro. No Brasil, a produção nacional somou 893,60 mil m³ no período.
Mistura obrigatória impulsiona usinas
De acordo com o coordenador de Inteligência de Mercado Agro do Imea, Rodrigo Silva, o avanço está diretamente ligado à maior demanda pelo biocombustível na composição do diesel. Desde agosto do ano passado, o Brasil adotou a mistura obrigatória de 15% de biodiesel ao óleo diesel, o chamado B15.
“A elevação da mistura obrigatória e a demanda mais aquecida pelo biodiesel contribuíram para esse aumento na produção”, afirmou Silva.
Segundo o instituto, o movimento reflete um ajuste da indústria à dinâmica do consumo nacional de combustíveis, com maior processamento nas usinas para atender ao mercado.

Óleo de soja lidera como matéria-prima
O óleo de soja segue como principal insumo utilizado na produção de biodiesel em Mato Grosso. Em março, a participação da matéria-prima foi de 84,00%, apesar de leve recuo de 0,34 ponto percentual em relação ao mês anterior.
A predominância do óleo de soja conecta diretamente a expansão do biodiesel à cadeia da oleaginosa, em um cenário de maior integração entre produção agrícola, processamento industrial e energia renovável.
Boletim também revisa projeções agrícolas
Além do biodiesel, o boletim do Imea trouxe novas estimativas para culturas importantes do estado. No algodão, a área plantada para a safra 2025/26 foi projetada em 1,38 milhão de hectares, com redução frente à estimativa anterior. A produtividade foi ajustada para 297,69 arrobas por hectare, resultando em produção estimada de 6,14 milhões de toneladas de algodão em caroço.
No milho, o instituto manteve a área em 7,39 milhões de hectares e revisou a produtividade para 118,78 sacas por hectare. Com isso, a produção foi estimada em 52,66 milhões de toneladas, sustentada por condições favoráveis em parte das lavouras após o regime recente de chuvas.
Pecuária tem movimentos distintos
No mercado do boi gordo, os preços registraram alta em abril em Mato Grosso, com a arroba atingindo média de R$ 350,11. Segundo o Imea, a valorização foi provocada pela oferta restrita de animais para abate, o que também contribuiu para reduzir o diferencial de base em relação ao mercado paulista, cuja média foi de R$ 367,57.
Já na suinocultura, o movimento foi de queda. Em abril, o preço pago ao produtor mato-grossense ficou em R$ 5,96 por quilo, pressionado pela menor demanda no mercado interno e pelo aumento da oferta de animais vivos e carne no atacado.
O desempenho do biodiesel, somado às revisões de grãos e proteína animal, reforça a relevância de Mato Grosso como polo estratégico do agro brasileiro, com forte integração entre produção agrícola, energia renovável e cadeias de proteína animal.
Fonte: Imea, adaptado pela equipe Feed&Food
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