A pecuária de baixo carbono vem ganhando espaço entre produtores que buscam elevar a produtividade e reduzir o impacto ambiental das propriedades. Baseado em práticas que ampliam a captura de carbono no solo e diminuem a emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE), o modelo se apoia em manejos que tornam o sistema mais eficiente e adaptado às exigências atuais de sustentabilidade.
O pasto bem manejado é um dos pilares desse processo. Além de melhorar a nutrição do rebanho e reduzir a necessidade de abertura de novas áreas, o manejo adequado favorece o acúmulo de carbono na vegetação e no solo. Segundo o engenheiro agrônomo Hemython Luis Bandeira do Nascimento, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da Semembrás, sistemas equilibrados dependem diretamente da qualidade das pastagens. Ele destaca que práticas corretas elevam a produção por área e permitem ajustar a taxa de lotação de forma mais eficiente.

Entre as estratégias que fortalecem a pecuária de baixo carbono estão a recuperação de pastagens degradadas, o uso de cultivares adaptadas, o planejamento forrageiro, a rotação de áreas e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Técnicas como adubação equilibrada, controle de plantas invasoras e adequação da lotação contribuem para o aumento da matéria orgânica e para a melhoria da estrutura do solo. De acordo com Nascimento, esses ajustes ampliam a eficiência no uso dos recursos naturais e reduzem emissões ao longo do sistema produtivo.
O avanço desse modelo também depende do acesso a soluções técnicas adequadas. Empresas especializadas têm desempenhado papel importante na disseminação de tecnologias que viabilizam pastagens mais resistentes e nutritivas. A Semembrás, por exemplo, desenvolve sementes voltadas para ambientes de alta exigência, apoiando produtores na construção de sistemas mais produtivos e alinhados às diretrizes da pecuária de baixo carbono. Segundo Nascimento, alimentos de melhor qualidade contribuem para reduzir emissões entéricas e otimizar o desempenho animal.
A adoção dessas práticas reforça a capacidade da pecuária brasileira de conciliar produtividade e conservação de recursos naturais. Pastagens bem estruturadas apresentam maior produção de forragem, melhor valor nutritivo, maior potencial de sequestro de carbono e redução da emissão total por quilo de carne produzida. Essa combinação sustenta a construção de sistemas mais eficientes e resilientes, capazes de responder às demandas atuais e futuras da atividade.
Fonte: Semembrás, adaptado pela equipe Feed&Food.
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