A incerteza deixou de ser um episódio para se tornar estrutural. O cenário atual combina volatilidade econômica, tensões geopolíticas, mudanças regulatórias, aceleração tecnológica e eventos climáticos cada vez mais severos. Nesse ambiente, liderar é sustentar visão de longo prazo sem abrir mão de agilidade, criando organizações capazes de se adaptar com rapidez, aprender continuamente e executar com disciplina. Isso é o que aponta a 29ª edição da CEO Survey, com destaques do Agronegócio, confirmando uma percepção crescente entre os executivos do setor.
A volatilidade de preços e custos continua pressionando margens e encurtando o horizonte de planejamento. Oscilações de câmbio, juros, crédito, fretes e energia alteram rapidamente a competitividade relativa entre origens e produtos, exigindo revisões frequentes de orçamento e maior rigor na gestão de capital de giro. Ao mesmo tempo, a dinâmica do comércio internacional se tornou mais sensível a rupturas logísticas e a decisões políticas, o que aumenta a necessidade de diversificação de rotas, fornecedores e mercados, além de inteligência comercial mais refinada. Para 35% e 33% dos respondentes, inflação e instabilidade macroeconômica são respectivamente, as principais ameaças nos próximos doze meses.
A transição climática aparece como outra ameça central, para 33% dos respondentes. O clima já não é apenas um risco agrícola, pois ele impacta produtividade, qualidade, sanidade, disponibilidade de água e custo de produção, afetando toda a cadeia de valor, do campo até a indústria de alimentos e nutrição animal. Esse risco físico se soma ao risco de transição, com exigências crescentes por rastreabilidade, comprovação de práticas sustentáveis e redução de emissões. Mercados e clientes mais exigentes passam a demandar evidências e dados auditáveis, e financiadores incorporam critérios ambientais na concessão de crédito e no custo de capital. Para o agro, isso significa que sustentabilidade deixa de ser um tema de reputação e se torna um fator de acesso a mercado, de competitividade e de resiliência.
Há ainda a complexidade operacional e digital. Quanto maior a integração de sistemas, maior também a superfície de risco, especialmente em cibersegurança e integridade das informações. Além disso, há escassez de talentos com habilidades digitais, convivência com sistemas legados e dificuldade de escalar pilotos tecnológicos. Em muitas empresas, o desafio não é “testar inovação”, mas capturar valor de forma consistente, integrando tecnologia ao processo e à cultura.
Leia a matéria completa na edição 227 da revista Feed&Food

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