A pecuária, a bioenergia e a gestão empresarial devem estar entre os principais vetores do agronegócio brasileiro nos próximos anos. A avaliação foi apresentada por Marcos Fava durante reunião da Associação Brasileira das Indústrias de Suplementos Minerais (ASBRAM), ao analisar perspectivas para grãos, carnes, energia renovável e planejamento das empresas do setor.
Engenheiro-agrônomo formado pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo (Esalq/USP), Fava afirmou que o país ampliou sua relevância no abastecimento mundial e ainda possui espaço para crescer. Segundo ele, urbanização, aumento da renda e mudanças nos hábitos alimentares devem sustentar a demanda por alimentos e proteína animal nas próximas duas décadas.
Riscos exigem planejamento
Ao mesmo tempo, o especialista alertou para riscos climáticos, sanitários, logísticos, geopolíticos e financeiros. Oscilações na produção de grãos e nos custos de ração, fertilizantes, diesel e transporte internacional podem alterar margens e comprometer decisões de investimento.
Para Fava, as empresas precisam acompanhar continuamente esses fatores e incorporar diferentes cenários ao planejamento. O avanço do setor, segundo ele, não será aproveitado da mesma forma por todos os negócios.
Energia integra cadeias
A bioenergia foi apontada como uma das principais transformações em curso. O crescimento do etanol de milho, do biodiesel, do biogás e do biometano pode ampliar a integração entre energia, produção de grãos e cadeias de carnes e leite, além de estimular novas atividades econômicas no interior.
Na pecuária bovina, Fava projetou que o Brasil poderá acrescentar cerca de 1 milhão de toneladas às exportações de carne em dez anos. A estimativa representa oportunidade para empresas de nutrição e insumos, mas dependerá de produtividade, sanidade, acesso a mercados e capacidade de investimento.
Margem antes da escala
Na gestão, o palestrante defendeu que as empresas priorizem margem antes de ampliar escala. “Eu tenho que sempre ficar melhor antes de ficar maior”, afirmou. Também destacou inovação, relacionamento com clientes e excelência operacional como fatores decisivos.
Fava ainda propôs o conceito de “ESGR”, acrescentando rentabilidade aos pilares ambiental, social e de governança. Para ele, projetos de sustentabilidade precisam gerar valor econômico e operacional, especialmente em iniciativas de circularidade e aproveitamento de resíduos.
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