Um estudo conduzido por instituições de pesquisa europeias apontou que javalis estão associados a mais de um quarto das infecções por Peste Suína Africana (PSA) em granjas de suínos. Apesar disso, a principal via de transmissão da doença ainda ocorre entre propriedades rurais infectadas.
A análise utilizou um modelo epidemiológico multiespécies para entender a dinâmica de disseminação da PSA entre suínos domésticos e populações de javalis, com base em dados da Romênia.
Os resultados indicam que cerca de 60% das infecções em granjas tiveram origem em outras propriedades contaminadas, enquanto aproximadamente 27% dos casos foram associados à presença de javalis infectados nas proximidades.
Estimativas ajudam a entender dinâmica da doença
Os pesquisadores destacam que os números são baseados em modelagens e representam estimativas das principais vias de transmissão, não sendo partes de um total único. O objetivo é identificar a relevância relativa de cada fator na disseminação da doença.
A análise reforça que a PSA possui múltiplas rotas de propagação, o que exige estratégias de controle mais abrangentes.

Transmissão também ocorre no sentido inverso
O estudo também identificou fluxo de transmissão no sentido oposto, das granjas para os javalis. Nesse cenário, cerca de 40% das infecções em populações selvagens podem estar relacionadas a granjas infectadas nas proximidades.
Esse comportamento evidencia a interação contínua entre animais domésticos e selvagens, ampliando os desafios no controle da doença.
Caso da Romênia ilustra complexidade da PSA
A modelagem foi baseada na primeira fase da epidemia registrada na Romênia, entre junho e dezembro de 2018. Os pesquisadores cruzaram dados de produção agropecuária, informações ambientais e registros de surtos para reconstruir as possíveis rotas de transmissão.
Os resultados mostram que a disseminação da PSA não pode ser explicada apenas pela movimentação entre propriedades, destacando a importância da interface com a fauna silvestre.
Biosseguridade é chave no controle da doença
Diante desse cenário, o estudo reforça que medidas de biosseguridade devem considerar tanto o controle dentro das granjas quanto a interação com javalis. Estratégias integradas são apontadas como essenciais para reduzir o risco de novos surtos.
A pesquisa amplia a compreensão sobre a dinâmica da PSA e contribui para o desenvolvimento de políticas sanitárias mais eficazes no enfrentamento da doença.
Fonte: INRAE, Anses e ENVT, adaptado pela equipe Feed&Food
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