O mercado internacional de carne de aves enfrenta um novo fator de instabilidade após o governo do Iraque anunciar a proibição temporária da importação de frango. A decisão, que entrou em vigor de forma imediata, tem caráter protecionista e busca estimular a produção doméstica no país do Oriente Médio.
Segundo o Ministério da Agricultura iraquiano, a medida é considerada uma ferramenta para fortalecer a autossuficiência alimentar e permitir que produtores locais retomem seus ciclos produtivos após anos de dificuldades. A avicultura do país foi impactada por conflitos, problemas logísticos, destruição de infraestrutura e escassez de insumos ao longo das últimas décadas.
Atualmente, a produção local está concentrada em cerca de 1.200 avicultores registrados, número que não inclui a região autônoma do Curdistão. Apesar disso, analistas avaliam que a oferta interna ainda é limitada para atender plenamente a demanda do mercado.
Para o Brasil, a decisão acende um sinal de alerta. O Iraque ocupa a posição de nono maior importador mundial de carne de aves, com compras que somaram cerca de US$ 808 milhões em 2024. O país está entre os principais destinos do frango brasileiro, ao lado de outros fornecedores relevantes como Turquia e Estados Unidos.

A suspensão das importações pode gerar impactos diretos no fluxo de exportações, com necessidade de redirecionamento de cargas e aumento da concorrência em outros mercados. O setor avalia que, mesmo sendo uma medida temporária, ela amplia a imprevisibilidade no comércio internacional e reforça a importância da diversificação de destinos.
No próprio Iraque, o momento da decisão gera preocupação. A proibição ocorre às vésperas do Ramadã, período em que o consumo de proteína animal tradicionalmente cresce. Especialistas locais alertam para o risco de alta nos preços dos alimentos e pressão inflacionária, caso a produção interna não consiga suprir a demanda.
Além do impacto imediato nos preços, há dúvidas sobre a eficácia estrutural da medida. Observadores apontam que o fechamento das fronteiras não resolve gargalos históricos da avicultura local, como dificuldades no acesso a vacinas, medicamentos veterinários, aditivos para ração e outros insumos básicos.
Para analistas, o fortalecimento do setor no país árabe depende de políticas de médio e longo prazo, como crédito, subsídios direcionados, melhoria da logística interna e garantia de fornecimento regular de insumos. Sem isso, o custo de produção tende a permanecer acima do produto importado, o que pode penalizar o consumidor.
Enquanto isso, o setor avícola brasileiro acompanha o cenário com atenção, avaliando os possíveis desdobramentos da decisão e seus reflexos sobre o comércio internacional de carne de aves nos próximos meses.
Fonte: informações de mercado internacional, adaptado pela equipe Feed&Food.
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