A indústria leiteira da Polônia enfrenta crescentes dificuldades para acessar o mercado brasileiro, já que o Brasil busca limitar o acesso a produtos europeus.
Apesar do otimismo inicial em torno do acordo comercial UE-Mercosul, a indústria leiteira polonesa enfrenta desafios crescentes para acessar o mercado brasileiro, segundo Agnieszka Maliszewska, presidente da Câmara do Leite Polonesa, em entrevista à Rádio Polonesa.
O Brasil tem atrasado a emissão de certificados veterinários exigidos para exportações de laticínios poloneses, criando o que Maliszewska descreveu como uma barreira significativa não tarifária para exportadores.
“Claro, também podemos enviar sem certificados veterinários aprovados, mas é muito mais difícil, complicado e menos lucrativo. É administrativamente longo e talvez seja uma tentativa deliberada de limitar o acesso ao mercado, uma das chamadas barreiras não tarifárias”, disse Maliszewska.

Ainda sem efeito real
O Acordo Interino de Comércio UE-Mercosul entrou provisoriamente em vigor em 1º de maio de 2026. O setor de laticínios da Polônia viu o acordo principalmente como uma oportunidade para expandir as exportações para a América Latina, especialmente em meio à crescente concorrência nos mercados tradicionais.
Segundo Maliszewska, as autoridades brasileiras ainda não concluíram os procedimentos de certificação após inspeções realizadas há alguns anos, o que efetivamente retardou o acesso dos exportadores de laticínios poloneses.
“Vamos conversar sobre isso, vamos insistir. Também espero que a embaixada do Brasil na Polônia ouça isso e tome providências”, acrescentou.
A indústria pressiona por acesso mais rápido ao mercado
A indústria leiteira polonesa tem buscado ativamente novos destinos de exportação, já que a produção doméstica de leite continua a se expandir e o mercado doméstico oferece poucas oportunidades de crescimento. Atualmente, o setor gera um superávit de exportação estimado em cerca de 25%, tornando as vendas no exterior cada vez mais importantes para os produtores.
“Se não agirmos rápido, simplesmente perderemos este momento. Precisamos aproveitar ao máximo essas oportunidades para fortalecer nosso setor e aumentar as exportações. Isso porque o mundo está se tornando cada vez mais difícil quando se trata de exportações. Portanto, qualquer oportunidade de exportar para qualquer país e vender produtos lácteos fora da União Europeia só nos fortalecerá neste momento”, disse Maliszewska.
A indústria vê um potencial de exportação particular em queijos de maturação há muito tempo, que os produtores poloneses têm promovido cada vez mais nos mercados internacionais.
Enquanto isso, Maliszewska pediu ao governo polonês que nomeasse um representante especial para o Mercosul no Brasil para ajudar a fazer lobby localmente pelos interesses comerciais poloneses e acelerar as negociações de acesso ao mercado.
Fonte: Dairy Global, adaptado pela equipe da Feed&Food
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