A indústria brasileira de alimentos encerrou 2025 reafirmando sua importância para a economia nacional. Mesmo diante de um cenário marcado por volatilidade cambial, aumento de custos e tensões comerciais internacionais, o setor manteve crescimento na produção, geração de empregos e faturamento.
Dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos indicam que, apesar da alta de 5,1% nos custos de produção impulsionada por matérias-primas agrícolas, energia, combustíveis e embalagens o repasse ao consumidor foi limitado. Enquanto a inflação geral medida pelo IPCA ficou em 4,26%, os preços dos alimentos subiram 2,95% no período.
Esse resultado foi possível graças a investimentos voltados para eficiência produtiva e inovação. Segundo o presidente executivo da ABIA, João Dornellas, a indústria buscou absorver parte das pressões inflacionárias para reduzir impactos no orçamento das famílias. “O ano de 2025 colocou à prova a resiliência da indústria de alimentos, que demonstrou ser força motriz de estabilidade para os lares brasileiros”, afirma.
O setor também teve papel relevante na geração de empregos industriais. Em 2025, foram criadas 51 mil novas vagas formais, o equivalente a 44,6% de todos os postos gerados na indústria de transformação no período.
Com isso, a indústria de alimentos passou a empregar diretamente 2,125 milhões de trabalhadores. Quando considerados os empregos indiretos ligados à agricultura, logística, embalagens e transporte a cadeia produtiva ultrapassa 10 milhões de postos de trabalho no país.

Além da expansão do emprego, o setor registrou crescimento na renda dos trabalhadores. A massa salarial paga pelas empresas aumentou 9,94%, superando a inflação e contribuindo para ampliar o poder de compra dos profissionais ligados à atividade.
O desempenho econômico também foi impulsionado pelo mercado interno. A indústria brasileira de alimentos e bebidas alcançou faturamento de R$ 1,388 trilhão em 2025, alta de 8,02% em relação ao ano anterior. Desse total, mais de R$ 1 trilhão foi gerado no mercado doméstico, impulsionado pelo consumo das famílias e pela recuperação do food service.
A produção física do setor atingiu 288 milhões de toneladas de alimentos e bebidas ao longo do ano, consolidando o país como um dos maiores produtores mundiais. Além disso, a indústria segue como principal cliente da agropecuária nacional, adquirindo mais da metade da produção agrícola brasileira.
Para sustentar esse crescimento, as empresas ampliaram investimentos. Em 2025, o setor destinou R$ 41,3 bilhões à modernização de plantas industriais, inovação tecnológica e expansão produtiva, movimento considerado essencial para aumentar a competitividade no mercado interno e internacional.
Mesmo diante de um ambiente global desafiador, as exportações também registraram desempenho positivo. As vendas externas da indústria de alimentos e bebidas somaram US$ 66,73 bilhões no ano, com presença em mais de 190 países e territórios.
Para 2026, as projeções indicam continuidade do crescimento. A expectativa é que as vendas reais avancem entre 2% e 2,5%, impulsionadas pela demanda doméstica e pela recuperação gradual do comércio internacional.
Fonte: ABIA, adaptado pela equipe Feed&Food
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