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IFC 2025 debate medidas práticas para prevenir doenças na aquicultura

Painel reuniu representantes do MAPA, Colômbia e ADAPAR e destacou a importância da notificação, monitoramento e integração público-privada
Por Caroline Mendes
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Caroline Mendes, de Foz do Iguaçu (PR)

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A biosseguridade foi colocada no centro das discussões do IFC 2025, durante o painel “Biosseguridade na aquicultura – Medidas práticas que o aquicultor deve adotar para evitar a disseminação de doenças”. O encontro contou com a participação de Allan Rogério de Alvarenga, secretário adjunto de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA); Cesar Pinzon, empresário e ex-diretor executivo da Federação Colombiana de Aquicultores; e Claudio Sobezak, fiscal de Defesa Agropecuária da ADAPAR.

Logo na abertura, Allan Alvarenga destacou a necessidade de planejamento e registro sistemático nas propriedades aquícolas, ressaltando que mortalidades, movimentação de animais, sinais clínicos e destinação de resíduos devem ser acompanhados de forma contínua. “O registro é a base para entender a dinâmica da produção e agir com rapidez diante de anormalidades. O produtor deve enxergar a notificação não como ameaça, mas como ferramenta de proteção coletiva”, afirmou.

O representante do MAPA explicou ainda que está em andamento a atualização da lista oficial de doenças de notificação obrigatória, defasada em relação às diretrizes internacionais da OMSA. A proposta será submetida à consulta pública ainda este ano. Além disso, anunciou a criação de um Comitê Técnico-Científico com participação da academia, setor produtivo e órgãos de regulação, que terá papel consultivo no desenvolvimento de normas e estratégias de vigilância.

“O registro é a base para entender a dinâmica da produção e agir com rapidez diante de anormalidades.” – Allan Rogério de Alvarenga, secretário adjunto de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA)

Na sequência, Cesar Pinzon compartilhou a experiência da Colômbia, que enfrentou uma grave crise sanitária na tilapicultura, marcada por mortalidades de até 80% em algumas regiões. O surto de Streptococcus revelou falhas de monitoramento, altas temperaturas da água e uma comunicação desarticulada entre produtores, governo e mercado. “Foi um golpe duríssimo, que afetou tanto o consumo interno quanto as exportações. Aprendemos da forma mais difícil que a transparência e a união do setor são fundamentais. Doenças não se combatem sozinho, só com coordenação entre governo, empresas e pesquisa é possível encontrar soluções”, relatou.

Pinzon também alertou para a importância de um trabalho coletivo e ágil, comparando a resposta sanitária com o esforço global de enfrentamento à Covid-19. Segundo ele, a criação de grupos intersetoriais na Colômbia foi essencial para reduzir o impacto econômico e social da crise, mas a demora na resposta inicial deixou lições valiosas. “Monitorar é respeitar a natureza. É preciso prevenir antes que a emergência se instale”, reforçou.

“Monitorar é respeitar a natureza. É preciso prevenir antes que a emergência se instale” – Cesar Pinzon, empresário e ex-diretor executivo da Federação Colombiana de Aquicultores

Fechando o painel, Claudio Sobezak trouxe a perspectiva prática do Brasil, ressaltando os desafios enfrentados pelos serviços de defesa agropecuária estaduais. Segundo ele, a rapidez de disseminação de doenças aquáticas e o trânsito irregular de animais exigem maior conscientização dos produtores. “Nem tudo é responsabilidade do Estado. O produtor precisa adotar medidas de biosseguridade na sua escala de trabalho. O fiscal não está ali para punir, mas para ajudar a resolver o problema. Quanto antes a notificação ocorrer, mais chances temos de conter o avanço da enfermidade”, explicou.

Sobezak também chamou atenção para a falta de um banco epidemiológico estruturado e para a necessidade de ampliar a rede de laboratórios credenciados no país. “Sem diagnósticos confiáveis e ágeis, perde-se tempo precioso, e a doença se espalha. Criar regras sem oferecer condições práticas de cumprimento não resolve o problema. Precisamos de políticas consistentes e aplicáveis à realidade do produtor”, completou.

” Criar regras sem oferecer condições práticas de cumprimento não resolve o problema. Precisamos de políticas consistentes e aplicáveis à realidade do produtor” – Claudio Sobezak, fiscal de Defesa Agropecuária da ADAPAR

O painel concluiu que a biosseguridade deve ser encarada como uma responsabilidade compartilhada entre produtores, governo e iniciativa privada. A integração público-privada, o fortalecimento da vigilância e a transparência nas notificações foram apontados como caminhos essenciais para reduzir riscos sanitários, proteger o mercado e garantir a sustentabilidade da aquicultura no Brasil e na América Latina.

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