Feed & Food
Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Bezerro MSR$ 3.390,78
Bezerro SPR$ 3.182,01
Boi GordoR$ 338,65
Soja PRR$ 127,64
Soja PortoR$ 133,87
MilhoR$ 63,45
Suíno Carc.R$ 8,60
Suíno PRR$ 4,66
Suíno SCR$ 5,00
Suíno SPR$ 5,27
Publicidade

Guerra no Oriente Médio: setor de produção de proteína animal está em alerta

Embora apenas cerca de 10% das exportações tenham como destino final países do Oriente Médio, o efeito indireto é mais amplo.

A escalada da guerra no Oriente Médio acendeu um sinal de alerta na cadeia brasileira de carne bovina e ampliou as preocupações sobre os impactos econômicos no agronegócio. Segundo o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Roberto Perosa, entre 30% e 40% de toda a exportação nacional de carne passa, de alguma forma, pela região em conflito, o que eleva significativamente o risco para o setor.

Embora apenas cerca de 10% das exportações tenham como destino final países do Oriente Médio, o efeito indireto é mais amplo. Parte das cargas faz escala em portos da região ou depende de empresas ali sediadas para seguir ao Sudeste Asiático e outros mercados. “Entre 30% e 40% de toda a exportação brasileira de carne passa pelo Oriente Médio, de alguma maneira”, afirmou Perosa.

No momento, os novos embarques estão praticamente paralisados. De acordo com o dirigente, não há disponibilidade de contêineres e as companhias marítimas suspenderam bookings para a região. Nos poucos casos em que há oferta, é cobrada uma sobretaxa de até US$ 4 mil por contêiner — a chamada “taxa de guerra” — o que inviabiliza economicamente as operações.

O impacto dependerá da duração da crise. Se o impasse for resolvido em uma semana, os efeitos tendem a ser limitados. Caso se estenda por cinco semanas, pode comprometer até 30% do volume exportado no mês. O Brasil embarca entre 200 mil e 250 mil toneladas mensais de carne bovina.

A interrupção do fluxo comercial pode gerar um efeito em cadeia. Foto: Reprodução.

Sem escoamento externo, o excedente pressiona um mercado interno já saturado, o que pode levar à redução do ritmo de abates e provocar um efeito sistêmico na cadeia produtiva. Diante do cenário, a Abiec pretende formalizar a preocupação junto ao governo federal, defendendo tanto atuação diplomática quanto eventual apoio econômico, especialmente via crédito, para evitar desestruturação do setor caso a crise se prolongue.

O ambiente externo desafiador também integra o conjunto de incertezas para o desempenho do agronegócio em 2026. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta crescimento de 1,22% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária neste ano, após a forte alta de 11,7% registrada em 2025. A estimativa é preliminar e deverá ser revisada após a consolidação dos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com o coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, o desempenho esperado reflete uma base de comparação elevada, resultado da supersafra e do bom momento da pecuária no ano passado. Apesar da previsão positiva para a safra atual e do crescimento projetado para quase todos os segmentos pecuários — com exceção da carne bovina, que entra em ciclo baixista — o ritmo tende a ser mais moderado.

Para o PIB nacional, a CNA estima expansão de 1,95% neste ano, abaixo dos 2,3% registrados anteriormente. A desaceleração é atribuída à expectativa de inflação mais alta, incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio com possíveis reflexos sobre o petróleo e fertilizantes, além da perspectiva de juros elevados até o fim do ano. Com isso, a participação da agropecuária no PIB brasileiro deve recuar de 7,54% para cerca de 6,9%.

Em 2025, o desempenho do agro foi decisivo para o crescimento da economia. A alta de 11,7% do setor superou a projeção inicial de 8,3% e respondeu por 0,8 ponto porcentual do PIB nacional. Se o setor tivesse ficado estável, o crescimento do país não teria alcançado 1,5%, segundo a CNA.

Além de soja e milho, contribuíram positivamente para o resultado as safras de café conilon, laranja e arroz, enquanto o feijão teve impacto negativo. A pecuária, tanto de corte quanto leiteira, também impulsionou o desempenho, sustentada por exportações robustas.

Para 2026, a CNA elenca como fatores de atenção as incertezas climáticas, salvaguardas chinesas sobre a carne bovina, tensões no Oriente Médio com reflexos logísticos e nos preços de insumos, volatilidade cambial, juros elevados, redução do poder de compra das famílias e o ritmo de crescimento do salário mínimo. No curto prazo, a tendência para o primeiro trimestre é positiva, impulsionada pela entrada da soja da safra 2025/26, embora haja preocupação com o excesso de umidade em algumas regiões e seus possíveis efeitos sobre a qualidade da produção.

Sazonalmente, o PIB da agropecuária costuma apresentar desempenho mais forte no primeiro trimestre, com a colheita da safra de verão, desacelerar no segundo e terceiro trimestres e retomar fôlego no fim do ano, com a colheita das culturas de inverno e o aumento do abate pecuário impulsionado pelas festas de fim de ano.

Já a Associação Brasileira de Produção Animal (ABPA), apontou que o setor deve ficar atento com possíveis aumentos de custos para exportação. “Com o fechamento de portos no Oriente Médio, nossa carne exportada, deverá buscar novas rotas para abertura, o que pode encarecer o processo final de exportação”, avalia Ricardo Santin, Presidente da ABPA. (Com informações da ABPA, CNA, ABIEC e Broadcast.)

LEIA TAMBÉM:

Abramilho acompanha guerra entre EUA, Israel e Irã e analisa impactos no milho brasileiro

Capal expande atuação no Paraná com incorporação da Coopagrícola

Manejo do frango de corte moderno será tema do 26º Simpósio Brasil Sul de Avicultura

Você está em
Texto 100%