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Abramilho acompanha guerra entre EUA, Israel e Irã e analisa impactos no milho brasileiro

O Brasil não deve ter dificuldades para exportar milho para outros países caso o Irã fique impossibilitado de fazer novas aquisições do grão.

A Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho) manifestou preocupação com a escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, destacando o potencial impacto sobre o comércio do milho brasileiro. O Irã é atualmente um dos principais parceiros comerciais do Brasil na exportação do grão.

Segundo a entidade, diferentemente da soja, cujos destinos são mais concentrados, o milho brasileiro é vendido para uma ampla diversidade de mercados internacionais. “O Brasil não deve ter dificuldades para exportar milho para outros países caso o Irã fique impossibilitado de fazer novas aquisições do grão”, informou o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho), Paulo Antonio Pusch Bertolini. “O estreito de Ormuz é importante para o agronegócio. É uma preocupação mas isso deve se reverter normalmente”, afirma.

A Abramilho destacou ainda que o consumo interno de milho supera a produção na época do ano. Foto: Reprodução.

O Irã mantém relações comerciais bilaterais com o Brasil, incluindo a exportação de ureia, importante insumo agrícola. Em 2025, o país forneceu 184,7 mil toneladas do fertilizante, mas ainda não é o principal fornecedor do Brasil, ficando atrás de Rússia e China. Apesar de ser o terceiro maior produtor mundial de gás natural, base para fertilizantes nitrogenados, as exportações iranianas diretas para o Brasil são limitadas por sanções internacionais. Estima-se que parte das cargas iranianas chegue ao país por meio de triangulação, sob bandeiras de outros países como Nigéria, Omã ou Catar.

A Abramilho destacou ainda que o consumo interno de milho supera a produção na época do ano: a primeira safra produz cerca de 26 milhões de toneladas, enquanto o consumo no primeiro semestre chega a 50 milhões de toneladas, considerando o estoque remanescente da segunda safra. As exportações brasileiras de milho devem se intensificar com a colheita da segunda safra.

Em nota, a entidade reforçou que continuará acompanhando atentamente o cenário internacional. Segundo a Abramilho, “desde que os ataques não se intensifiquem nem comprometam os portos por questões humanitárias, o abastecimento interno de milho não deverá ser prejudicado”.

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