Em um cenário de dificuldades para a cadeia leiteira, a Associação de Criadores de Gado Holandês do Rio Grande do Sul (Gadolando) utilizou a cerimônia do Prêmio Destaque Holandês 2025 como espaço para cobrar ações mais efetivas de apoio ao produtor. O evento foi realizado neste sábado, 13 de dezembro, no Pavilhão do Gado Leiteiro, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS), reunindo produtores, cooperativas, entidades parceiras e autoridades.
Durante a cerimônia, o presidente da Gadolando, Marcos Tang, que também preside a Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça (Febrac), destacou que, apesar dos esforços da entidade, há limites para a atuação institucional diante de um cenário adverso. Segundo ele, a crise do leite é global, mas no Rio Grande do Sul é agravada por problemas climáticos que impactam diretamente a produção.
Tang observou ainda que, para os produtores que permanecem na atividade, o momento pode representar uma oportunidade para investir na aquisição de vacas e na melhoria genética dos rebanhos. Ao mesmo tempo, fez críticas à condução política do setor e à falta de ações concretas por parte de agentes com poder de decisão, afirmando que parte das críticas direcionadas à indústria leiteira desconsidera os custos reais de produção.

Entre as propostas defendidas pela entidade, o presidente da Gadolando destacou a necessidade de medidas mais firmes em relação às importações de leite e derivados. Segundo ele, a entidade apoia a regulamentação e, de forma temporária, o bloqueio das importações. O pedido de medidas antidumping já foi aceito, embora os efeitos práticos devam levar meses para serem percebidos.
O dirigente também ressaltou a importância de um debate amplo envolvendo produtores, indústria e varejo, com o objetivo de preservar a cadeia produtiva. Embora tenha reconhecido iniciativas do governo estadual, como a compra de leite, avaliou que são necessárias ações mais eficazes. Entre as sugestões, citou parcerias com a indústria para estimular o consumo, como a oferta de leite em locais onde se serve café.
Tang defendeu ainda a construção de uma estratégia de longo prazo para transformar o Brasil em um país exportador de lácteos, com foco em saneamento e qualidade. Segundo ele, a crise não se restringe ao Rio Grande do Sul, mas integra um problema global, intensificado pelos desafios locais da produção.
Fonte: Gadolando, adaptado pela equipe Feed&Food
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