O FNDS Collab, iniciativa da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS), reuniu lideranças e especialistas do agronegócio para discutir o cenário da suinocultura e as perspectivas para o setor nos próximos anos. O encontro marcou a abertura das atividades do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Suinocultura (FNDS) em 2026 e contou com palestras sobre mercado, consumo e estratégias para fortalecer a cadeia produtiva.
Durante a abertura do evento, o presidente da ABCS e do FNDS, Marcelo Lopes, destacou a importância do fundo para integrar os diferentes elos da cadeia e ampliar o diálogo entre produtores, indústria e varejo.
“A importância do FNDS é integral para a suinocultura brasileira. O fundo proporciona eventos como este, que conectam o varejo, o produtor e o consumidor. Ele também cria possibilidades para falarmos de bem-estar animal, sanidade e desenvolvimento do setor”, afirmou Lopes em entrevista exclusiva ao portal Feed&Food.
Marcelo Lopes, presidente da ABCS e do FNDS, durante abertura do FNDS Collab em São Paulo. Crédito: Feed&Food
Segundo o dirigente, o fundo tem ganhado adesão de novas entidades e empresas, fortalecendo a atuação da ABCS na promoção da carne suína no Brasil. Entre os novos integrantes do FNDS estão a ACSURS (Associação dos Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul), Nutribras Alimentos, Asumas (Associação Sul-Mato-Grossense de Suinocultores) e Cooperl.
“Já estamos vendo o crescimento do fundo, com associações, produtores e empresas parceiras entrando no projeto. Tenho certeza de que ele vai se transformar em algo muito grande e fazer ainda mais pela cadeia da suinocultura”, acrescentou.
Perspectivas de mercado
Na programação do evento, o economista Alexandre Mendonça de Barros, da MBAgro, apresentou uma análise do cenário econômico e das perspectivas para o agronegócio em 2026. Segundo ele, o mercado interno brasileiro vive um momento positivo, impulsionado pela renda e pelo nível de emprego.
“Estamos vivendo um momento muito bom de mercado interno, tanto de renda quanto de emprego. O mercado brasileiro está com o poder aquisitivo relativamente forte”, avaliou.
O especialista também destacou fatores que podem influenciar os custos de produção e a dinâmica das cadeias de proteína animal, como o comportamento do câmbio, a política de juros e o cenário global.
O economista Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, apresentou análise sobre o cenário do agronegócio e as perspectivas de mercado para 2026. Crédito: Feed&Food
Entre os pontos de atenção, Mendonça de Barros citou o mercado de grãos e os impactos sobre a produção animal.
“Estamos batendo o fundo dos preços dos grãos. Este ano ainda teremos preços bons, mas estamos correndo riscos climáticos e acumulando pressão de alta”, alertou.
Segundo ele, o encarecimento da carne bovina pode abrir espaço para outras proteínas no consumo doméstico.
“A carne vai ficando mais cara e estamos tendo que usar mais carne suína nos churrascos”, afirmou.
Consumo e percepção do consumidor
O evento também trouxe uma análise sobre comportamento de consumo com o antropólogo Michel Alcoforado, autor do livro Coisa de Rico. Ele destacou que o mercado de alimentos se tornou mais complexo nos últimos anos, exigindo novas estratégias de comunicação e posicionamento de produtos.
“A nossa alimentação ficou muito mais complexa e o consumidor passou a ter muito mais escolhas”, explicou.
O antropólogo Michel Alcoforado falou sobre comportamento do consumidor e estratégias para ampliar a presença da carne suína no mercado. Crédito: Feed&Food
Para ele, além de qualidade e preço, as decisões de compra estão cada vez mais ligadas a valores, narrativas e conexão com o público.
“Para gerar desejo na carne suína é preciso fazer com que as pessoas falem do seu produto. Ser lembrado é um ponto importantíssimo”, disse.
Segundo o antropólogo, construir diferenciação e ampliar o diálogo com o consumidor são passos essenciais para fortalecer a presença da carne suína no mercado.
Kevin Monteiro do Nascimento é bacharel em Jornalismo pela Universidade Cruzeiro do Sul (Campus Anália Franco) e técnico em Mídias Digitais pelo Colégio e Faculdade Pentágono. Atua como jornalista especializado em agronegócio, com foco na cadeia de proteína animal, produzindo conteúdos voltados aos segmentos de bovinocultura, suinocultura, avicultura, aquicultura e mercado agropecuário.