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Financiamento no agro ainda encontra barreiras estruturais

Especialista aponta quatro entraves que dificultam o financiamento para pequenas e médias empresas do setor, além de alternativas por meio de fintechs
Por Marcelo Macaus
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No Brasil, onde pequenas e médias empresas (PMEs) respondem por mais da metade dos empregos formais e somam mais de seis milhões de estabelecimentos, o acesso ao crédito ainda é limitado por uma série de entraves estruturais. O problema afeta diretamente os empreendimentos do agronegócio e outros setores produtivos que dependem de capital para expansão, modernização e operação.

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De acordo com Gabriel César, CEO da fintech M3 Lending, quatro fatores principais comprometem o acesso das PMEs ao crédito formal: a exigência de garantias, a ausência de histórico de crédito, a desorganização financeira e a escolha inadequada da linha de financiamento.

Exigência de garantias

A maior parte das PMEs não possui bens ou ativos suficientes para oferecer como garantia às instituições financeiras. O risco percebido pelos bancos em relação a esse perfil empresarial eleva as exigências, como imóveis ou equipamentos de alto valor, restringindo o acesso ao financiamento.

Histórico de crédito insuficiente

A ausência de um histórico de crédito formal cria um ciclo restritivo. Para obter crédito, é necessário ter histórico, mas sem crédito prévio, muitos pedidos são negados. Isso dificulta a comprovação da capacidade financeira das empresas, o que reduz suas chances de aprovação nos processos bancários.

Proposta, conforme Gabriel César, é ampliar o acesso ao crédito de forma mais acessível e menos burocrática (Foto: Divulgação)
 

Desorganização financeira

A falta de estruturação contábil e documental também dificulta o processo de solicitação de crédito. Empresas sem balanços atualizados, planejamento de fluxo de caixa ou registros fiscais organizados enfrentam obstáculos para cumprir os requisitos exigidos pelas instituições.

Escolha da linha de crédito errada

A seleção inadequada de produtos financeiros pode gerar endividamento descontrolado. Taxas de juros elevadas e prazos desalinhados ao fluxo de caixa resultam em desequilíbrio financeiro, agravando a inadimplência e prejudicando empresas já em situação vulnerável.

Alternativas digitais

Com base nesse cenário, fintechs vêm se consolidando como alternativa ao sistema bancário tradicional. A M3 Lending, criada em 2021 em Belo Horizonte (MG), conecta empresas a investidores, oferecendo taxas de juros menores e um processo digital. Segundo a empresa, os juros praticados são, em média, 22% inferiores aos dos bancos.

A plataforma permite que qualquer investidor participe com aportes a partir de R$ 250. Já são mais de dois mil usuários cadastrados entre tomadores de crédito e investidores. Segundo a M3, os principais destinos do crédito são: expansão de operações (40%), abertura de novas unidades (25%), compra de estoque (20%) e ampliação de instalações (15%).

A proposta, segundo Gabriel César, é ampliar o acesso ao crédito de forma mais acessível e menos burocrática. “Queremos que as pequenas e médias empresas tenham oportunidade de crescer sem depender exclusivamente das grandes instituições financeiras”, afirma o CEO.

Fonte: M3 Lending, adaptado pela equipe FeedFood

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