Caroline Mendes, caroline@dc7comunica.com.br
A exigência de esterilização das farinhas pode estar com os dias contados. Após quase duas décadas de investimentos pesados e negociações complexas com o Ministério da Agricultura, o setor de reciclagem animal aguarda a efetivação de uma decisão que promete encerrar de vez essa exigência – cuja motivação foi mais política e comercial do que científica, segundo a ABRA. Em entrevista à Feed & Food, o presidente da entidade, Pedro Bittar, relembra a origem da norma, detalha o movimento pelo fim da obrigatoriedade e aponta os desafios enfrentados pelas indústrias enquanto a decisão não é implementada.
Feed & Food – Por que a ABRA lançou a campanha pela não esterilização das farinhas?
Pedro Bittar – A ABRA nasceu justamente por conta da exigência de esterilização. Isso foi há quase 19 anos. O Ministério da Agricultura, pressionado pela OIE, queria impedir a produção de farinha e gordura animal no Brasil. Foi uma resposta àquela época da febre aftosa, e a alegação era que não se podia fazer farinha para ruminantes. Mas a OIE não falava em esterilização. Aí o Ministério disse: “Só libera se tiver esterilização”. A gente sabia que era tecnicamente desnecessário. Não existe nenhuma recomendação científica da OIE nesse sentido. Mas o Brasil cedeu porque precisava vender, precisava ter credibilidade, precisava mostrar que fazia diferente. A gente aceitou com um acordo: “Tudo bem, nós vamos fazer a esterilização, mas temos que ter prazo”. O setor não tinha equipamento, o custo era altíssimo. Nós negociamos com o ministro, com governadores, deputados, senadores, com todo mundo envolvido, e conseguimos um prazo para a adaptação.

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