O fechamento do Estreito de Ormuz, anunciado em 28 de fevereiro em meio à escalada do conflito envolvendo o Irã, elevou o nível de alerta no agronegócio brasileiro. A rota é estratégica para o escoamento de carne halal, soja e açúcar destinados ao Oriente Médio e ao Norte da África, regiões que concentram parte relevante das exportações nacionais.
O Brasil lidera a produção global de carne halal e depende do fluxo marítimo da região para embarcar mais de 28 mil toneladas mensais do produto. Embora não haja, até o momento, suspensão formal de contratos, o redirecionamento de cargas para rotas alternativas pode elevar custos e alongar prazos logísticos.
Especialistas em comércio internacional avaliam que cláusulas de força maior não suspendem automaticamente acordos comerciais, desde que existam alternativas operacionais. No entanto, rotas como o Mediterrâneo tendem a ser mais longas e onerosas, aumentando o impacto sobre exportadores.

Além das carnes, a preocupação se estende às commodities agrícolas. O Irã foi destino de quase US$ 3 bilhões em exportações brasileiras em 2025, com destaque para milho, soja e açúcar. O milho liderou a pauta, seguido pela soja e pelo açúcar. Considerando ainda Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Egito, o volume comercial com países da região alcança aproximadamente US$ 21 bilhões.
As exportações de carne bovina para países árabes encerraram 2025 com alta de 1,91% frente ao ano anterior, somando US$ 1,79 bilhão, segundo dados da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. O resultado consolidou o segundo recorde consecutivo de receitas com o bloco.
Apesar da relevância do mercado iraniano e dos países do Golfo, analistas destacam que o Brasil mantém diversificação comercial. A China segue como principal destino das exportações agropecuárias brasileiras, seguida pela União Europeia. Ainda assim, qualquer instabilidade na região tende a pressionar custos de frete, seguros marítimos e previsibilidade contratual.
O cenário permanece sob monitoramento do setor exportador, que avalia alternativas logísticas e acompanha o desdobramento das tensões geopolíticas. O impacto efetivo dependerá da duração do bloqueio e da estabilidade das demais rotas comerciais.
Fonte: Dados de mercado e especialistas em comércio internacional, adaptado pela equipe Feed&Food
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