A Fundação de Apoio à Ciência e Tecnologia Animal (FACTA) realizou, nesta terça-feira (4), em São Paulo (SP), a edição 2026 do seu Kick-Off, reunindo representantes da cadeia produtiva para discutir os cenários e as perspectivas para o mercado de proteínas animais ao longo do ano. Avicultura, suinocultura, bovinocultura e a relação direta com o mercado de grãos, especialmente milho e soja, estiveram no centro dos debates.
Durante a abertura, a entidade também apresentou seus projetos para 2026, com destaque para a reedição de publicações técnicas voltadas à cadeia produtiva, além de iniciativas focadas em doenças das aves, manejo da incubação e produção de suínos, reforçando o papel da FACTA na difusão de conhecimento técnico e científico aplicado à produção animal.
O presidente da FACTA, Ariel Antônio Mendes, que ocupa o cargo desde 2020, destacou a evolução da proteína animal nos últimos anos. “A suinocultura tem evoluído muito nos últimos anos, assim como a avicultura. São cadeias que vêm incorporando tecnologia e melhorando seus indicadores de produção”, afirmou.
Mendes também chamou atenção para os desafios estruturais do Estado de São Paulo. “São Paulo tem uma estrutura para o agronegócio que poucos países têm no mundo, mas o custo de produção aqui é mais alto. Além disso, temos um déficit importante na avicultura, com cerca de 700 galpões aviários que ainda precisam ser construídos”, pontuou.

O secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Geraldo Melo Filho, reforçou o papel do poder público no fortalecimento da cadeia produtiva. “Nosso papel é estar junto ao setor, ouvir as demandas e construir os programas e projetos que precisam ser apoiados pelo Estado”, disse.
Segundo o secretário, a diversidade é uma das principais forças do agro paulista. “O agro brasileiro é o setor mais pulsante da economia, e o agro de São Paulo, diferente de outros estados, é grande em tudo. A diversidade da cadeia é muito grande”, afirmou. Melo Filho também destacou a importância da inovação para manter a liderança do País. “Se o agro brasileiro pretende continuar nessa posição de liderança, a produção de alimentos passa, necessariamente, pelo apoio às pesquisas e às tecnologias. Essa é uma opção de Estado, com uma visão de futuro sustentável”, completou.
No primeiro painel, que abordou os cenários políticos para 2026, a diretora executiva da Vallya Agro, Larissa Wachholz, avaliou que 2025 foi marcado por forte instabilidade no cenário global. “2025 foi um ano surpreendente pela dimensão da instabilidade, sem qualquer previsão clara de como o cenário internacional iria se adaptar”, afirmou.
Larissa defendeu uma postura pragmática do Brasil no comércio internacional. “O País precisa manter seu pragmatismo em relação às grandes potências e buscar uma diversificação constante de mercados, especialmente para regiões mais distantes, como a Ásia. Diversificação e sofisticação são elementos essenciais para que as coisas deem certo”, disse.

Já o diretor executivo da Lohbauer Consultoria Internacional, Christian Lohbauer, destacou os desafios econômicos recentes. “2025 registrou a maior quantidade de recuperações judiciais, inclusive no agro. Ainda assim, o Brasil continua sendo um país com enorme potencial produtivo”, avaliou.
O segundo painel, dedicado às perspectivas para o mercado de carnes e ovos, concentrou os principais pontos de interesse da cadeia produtiva. O executivo que lidera o time da PlumaGen, Jairo Arenázio, destacou o cenário favorável no mercado de grãos. “O milho teve produção recorde em 2025, então teremos sobra de milho em 2026. A soja também praticamente bateu recorde”, afirmou.
Segundo Arenázio, esse cenário sustenta a competitividade da proteína animal. “O frango está estático e consolidado, o Brasil é referência na avicultura. A suinocultura vem crescendo, mas de forma mais controlada, e o mercado de postura cresceu muito nos últimos anos”, explicou. “O consumo de ovos cresceu 43% em sete anos, e precisamos avançar na industrialização do produto. É a única maneira viável de acessar o mercado internacional com eficiência”, completou.
Para o diretor executivo da Fiesp Deagro, atual presidente do Conselho de Administração do Sindirações e vice-presidente da Federação Internacional da Indústria de Alimentação Animal (IFIF), Roberto Betancourt, o cenário global favorece o Brasil. “O mundo mudou em relação à proteína animal. Hoje, o mundo consome mais proteína, e o Brasil está no lugar certo, na hora certa, com sanidade e recursos”, afirmou.
Betancourt ressaltou a competitividade da produção nacional. “O Brasil tem a ração mais competitiva do mundo. As matérias-primas que todos querem, nós já temos aqui”, disse. “Minha mensagem é de otimismo. Vamos crescer, somos um mercado com credibilidade, mas precisamos manter a união do agro e avançar em infraestrutura”, concluiu.
A diretora técnica da Associação Brasileira de Proteína Animal, Sula Alves, destacou a importância da competitividade internacional. “Temos que nos preocupar com a competitividade, especialmente diante do avanço da China no mercado global. O cenário é muito positivo para o nosso setor, mas a união será fundamental”, afirmou. “As crises têm sido oportunidades para o produtor brasileiro”, completou.
Por: Kevin Nascimento
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