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Exportações em alta e insumos sob controle mantêm otimismo na produção de carnes

Avanço das exportações e expectativa de boa safra de milho sustentam cenário favorável para o setor.

Por Carol Mendes | carolmendesmosca@gmail.com

A produção brasileira de proteínas animais vive um momento favorável em 2025, impulsionada por exportações crescentes e pela manutenção do equilíbrio entre custos e margens, mesmo diante das oscilações no mercado de grãos. Os setores de aves, suínos e bovinos mostram resiliência e competitividade, enquanto os principais insumos – milho e soja – caminham para um cenário de maior estabilidade no segundo semestre.

Na avicultura, os preços da carne de frango seguem firmes, apoiados por um ritmo de produção ajustado à demanda e recordes sucessivos nas exportações. Em março, o Brasil embarcou 409 mil toneladas de carne de frango in natura, 3,3% acima do mesmo mês do ano anterior. O preço médio do quilo do frango congelado no estado de São Paulo atingiu quase R$ 9 em abril, refletindo a valorização do mercado externo e a boa relação de troca frente à carne bovina. Destinos como México, Filipinas e Coreia do Sul ampliaram significativamente suas compras, compensando a queda nas exportações para China e Emirados Árabes Unidos.

A suinocultura também se beneficia de forte demanda internacional. No primeiro trimestre, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 18,2% em volume e 4,5% em receita, superando os recordes de 2024. O preço do suíno vivo em São Paulo chegou a R$ 8,60/kg em abril, 30% acima do registrado no mesmo período do ano anterior. Filipinas, Japão e Vietnã foram destaques no crescimento das vendas externas, e o Brasil deve aumentar sua participação no mercado global, podendo responder por 16% das exportações mundiais em 2025.

No primeiro trimestre, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 18,2% em volume e 4,5% em receita, superando os recordes de 2024.

No mercado de bovinos, mesmo com oferta elevada, o cenário segue positivo. O boi gordo atingiu R$ 326/@ em abril, com valorização de 5,3% em relação a março. A retomada do fôlego nos preços é sustentada principalmente pelas exportações, que somaram 215 mil toneladas de carne bovina in natura em março – alta de 26,6% em relação a 2024. A China segue como principal destino, com metade do volume exportado, enquanto EUA e Chile também ampliaram suas compras.

A alimentação animal, principal componente dos custos de produção, vem apresentando sinais de equilíbrio. O milho, após forte valorização em março, teve recuo de preços em abril com o avanço das chuvas nas regiões produtoras. A Conab revisou para cima a estimativa da segunda safra para 97,9 milhões de toneladas, indicando boa oferta no segundo semestre. Já a soja, pressionada pela alta do dólar e prêmios elevados, continua valorizada, mas a recomposição dos estoques na China e o bom ritmo de exportações do Brasil devem conter novas altas nos próximos meses.

Com boas perspectivas para a safra de milho, exportações aquecidas e controle na oferta de proteína, o agronegócio brasileiro deve continuar liderando o crescimento das exportações nacionais. Mesmo diante de incertezas externas, como a guerra tarifária entre EUA e China e possíveis impactos climáticos, o setor de carnes mantém sua posição de destaque no cenário global, com grande potencial de expansão em mercados estratégicos.

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