Carol Mendes, especial para FeedFood I carolmendesmosca@gmail.com
Os recentes dados do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), analisados pela Consultoria Agro do Itaú BBA e as informações divulgadas pelo CEPEA nesta semana, traçam um panorama de estabilidade na produção global de grãos, mas com sinais de alerta nos estoques e no consumo. A mensagem para o agronegócio brasileiro é clara: o cenário internacional exige atenção redobrada e decisões comerciais mais estratégicas.
Soja: Brasil mantém liderança, mas estoques crescem
A produção brasileira de soja foi mantida em 169 milhões de toneladas — um avanço de 9,4% sobre a safra passada. No entanto, os estoques finais globais aumentaram de 121 para 122 milhões de toneladas. Nos Estados Unidos, o estoque final caiu de 10,3 para 10,2 milhões de toneladas, enquanto na China houve estabilidade. O consumo interno brasileiro também subiu, puxado pelo esmagamento, que passou de 56 para 57 milhões de toneladas.
Segundo o CEPEA, o aumento da oferta global pressiona os preços internos, enquanto a demanda externa tende a se manter mais moderada nos próximos meses.
Milho: estoques caem e elevam a pressão sobre o mercado
O milho é o grão que mais inspira cautela. O USDA projeta uma redução nos estoques finais globais de 289 para 288 milhões de toneladas. Nos EUA, a queda é mais acentuada: de 39,1 para 37,2 milhões. O Brasil, por outro lado, manteve a projeção de produção em 126 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 44 milhões — um avanço de 15% em relação ao ciclo anterior.
O CEPEA destaca que a menor oferta americana pode abrir espaço para o milho brasileiro no mercado internacional, mas os estoques internos em baixa (apenas 3 milhões de toneladas) elevam o risco de pressão sobre os preços internos.

Trigo: consumo em queda e menor presença chinesa
O trigo teve o consumo mundial revisto para baixo, de 801 para 797 milhões de toneladas. A China, que vinha se consolidando como grande importadora, reduziu suas compras de 6,5 para 3,5 milhões de toneladas. No Brasil, a produção foi mantida em 7,9 milhões de toneladas, mas os estoques finais recuaram 5% em relação à estimativa anterior.
O CEPEA aponta que a redução das exportações russas e a menor presença chinesa podem alterar as rotas comerciais no segundo semestre, aumentando a competitividade entre exportadores.
Algodão: consumo global desacelera, mas Brasil segue em expansão
O algodão apresentou aumento nos estoques finais globais, de 17,1 para 17,2 milhões de toneladas, enquanto o consumo caiu ligeiramente. A China aumentou sua produção de 6,9 para 7 milhões de toneladas, mas reduziu as importações. O Brasil manteve a previsão de 3,7 milhões de toneladas produzidas e ampliou levemente os estoques finais.
A demanda internacional deve seguir volátil, exigindo do produtor brasileiro mais atenção ao câmbio e ao ritmo das exportações.
Cenário exige estratégia e agilidade
Com produção estável, mas ajustes importantes nos estoques e no consumo global, o mercado de grãos entra em uma fase de maior complexidade. O Brasil continua com desempenho forte, especialmente em soja e milho, mas enfrenta um cenário mais competitivo e incerto. O momento exige agilidade nas decisões comerciais, gestão eficiente e atenção às movimentações das grandes economias agrícolas. Antecipar tendências e operar com estratégia será essencial para garantir rentabilidade nesta safra.
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