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Exportações brasileiras de milho recuam em fevereiro com logística voltada à soja

Queda nos embarques reflete período de entressafra do cereal e priorização da infraestrutura para escoamento da safra de soja

exportações de milho

As exportações brasileiras de milho apresentaram forte retração em fevereiro de 2026, influenciadas principalmente pelo período de entressafra do cereal e pela priorização da logística nacional para o escoamento da soja. O movimento é considerado sazonal e ocorre tradicionalmente no início do ano, quando a colheita da oleaginosa aumenta a demanda por transporte e capacidade portuária.

De acordo com levantamento divulgado pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), o Brasil embarcou cerca de 1,55 milhão de toneladas de milho em fevereiro. O volume representa queda de 63,47% em relação a janeiro.

O recuo também se refletiu no principal estado produtor do país. Em Mato Grosso, as exportações somaram 504,34 mil toneladas no período, o que corresponde a uma redução de 81,07% na comparação mensal.

Segundo a análise do IMEA, a retração está diretamente ligada ao redirecionamento da estrutura logística brasileira incluindo transporte rodoviário, ferroviário e operações portuárias para atender à intensa movimentação da safra de soja neste momento do calendário agrícola.

exportações de milho
Milho em grão utilizado na produção de ração animal; cereal é insumo estratégico para cadeias de aves e suínos e influencia a dinâmica das exportações agrícolas. Crédito: Reprodução

Entre fevereiro e junho, o milho brasileiro normalmente passa pelo período de entressafra. Nesse intervalo, a soja domina o fluxo logístico do país, reduzindo temporariamente o ritmo de embarques do cereal para o mercado internacional.

Mesmo com a queda pontual nas exportações, o milho brasileiro segue com presença relevante no comércio global. Entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, os principais destinos do cereal foram Irã, Egito e Vietnã, mercados que utilizam o produto principalmente na produção de ração animal para cadeias como avicultura e suinocultura.

Enquanto os embarques desaceleram no curto prazo, a comercialização das safras no Brasil continua avançando. A safra 2024/25 já atingiu 96,27% de volume negociado, indicando forte avanço nas vendas realizadas pelos produtores.

Já a safra 2025/26 alcançou 35,41% de comercialização. O percentual tem sido impulsionado pela valorização dos preços futuros do cereal, que incentiva produtores a realizar contratos antecipados para garantir margens e reduzir riscos diante da volatilidade do mercado internacional.

Para os próximos meses, o setor acompanha fatores como o desenvolvimento da segunda safra de milho conhecida como safrinha, além da evolução da demanda global e do comportamento do câmbio. Com o avanço da colheita ao longo do primeiro semestre, a expectativa é de retomada gradual dos embarques brasileiros de milho na segunda metade do ano.

Fonte: IMEA, adaptado pela equipe Feed&Food

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