A produção de leite no Brasil emite menos da metade do carbono registrado na média mundial, segundo estudo inédito conduzido pela Cargill, em parceria com a Universidade de São Paulo e a Embrapa Gado de Leite.
Intitulada “Benchmarking da Pegada de Carbono”, a pesquisa aponta que a produção nacional emite, em média, 1,19 kg de dióxido de carbono equivalente (CO₂eq) por quilo de leite produzido considerando o leite corrigido para os teores de gordura e proteína, metodologia adotada internacionalmente para comparações entre sistemas produtivos. A média global estimada é de 2,5 kg de CO₂eq por quilo.
O levantamento utilizou a metodologia de Avaliação de Ciclo de Vida (ACV), que mede os impactos ambientais do sistema produtivo do berço ao portão da fazenda. Foram analisados três sistemas de produção em quatro biomas brasileiros.
Base de dados ampla
O estudo é um dos mais abrangentes já realizados no setor lácteo nacional. Ao todo, foram avaliados 24.349 animais distribuídos em 28 propriedades de sete estados, com produção anual de 162.102.481 litros de leite. A dimensão da amostra permitiu estabelecer parâmetros técnicos comparáveis entre diferentes regiões e modelos produtivos.
De acordo com os dados, o desempenho brasileiro se aproxima ao de países com tradição no setor leiteiro. A pegada média registrada no Brasil é semelhante à da Alemanha, estimada em 1,2 kg de CO₂eq por quilo de leite, e próxima à dos Estados Unidos, com média de 1,0 kg de CO₂eq.

Produtividade como fator-chave
A pesquisa também identificou relação direta entre eficiência produtiva e redução das emissões. Nas propriedades analisadas, o aumento da produtividade resultou em redução de até 43% na pegada de carbono por litro de leite.
Fazendas com produção diária superior a 25 litros por vaca registraram média de 0,90 kg de CO₂eq por quilo de leite. Já propriedades com produtividade inferior a esse patamar apresentaram índice médio de 1,58 kg de CO₂eq.
Segundo Marcelo Dalmagro, diretor de Marketing Estratégico e Tecnologia da Cargill Nutrição e Saúde Animal, decisões técnicas ligadas ao manejo do rebanho como ajustes na dieta e adoção de tecnologias voltadas à eficiência impactam diretamente os indicadores ambientais da atividade.
“Além de vital para a sustentabilidade econômica das propriedades leiteiras, a produtividade passa a ser também um parâmetro associado à redução de emissões dentro da porteira”, afirma.
Principais fontes de emissão
O metano entérico foi identificado como a principal fonte de emissão, respondendo por 47% do total. Em seguida aparecem a produção de alimentos fora da propriedade (36,8%) e o manejo de dejetos (8,1%).
O levantamento também detalhou o desempenho por biomas. O Pampa apresentou a menor pegada média (0,99 kg de CO₂eq por quilo de leite), seguido pelo Cerrado (1,12 kg), Mata Atlântica (1,19 kg) e Caatinga (1,50 kg).
Realizado entre 2022 e 2024, o projeto seguiu as normas internacionais ISO 14040, 14044 e 14067, garantindo padronização metodológica e comparabilidade dos dados entre sistemas produtivos e regiões.
Fonte: Cargill, adaptado pela equipe da Feed&Food.
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