A escalada do conflito no Oriente Médio, após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã, reacendeu o alerta no agronegócio brasileiro. Embora analistas não prevejam interrupção imediata nos embarques de grãos e carnes para a região, a alta do petróleo, a valorização do dólar e o fechamento de rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz tendem a pressionar custos de produção e logística nas próximas semanas.
O Oriente Médio é destino relevante para as exportações brasileiras de carne bovina, frango e milho. Além disso, a região tem papel estratégico no fornecimento de insumos essenciais à produção agrícola, especialmente fertilizantes nitrogenados. A combinação entre risco geopolítico e dependência energética amplia a volatilidade do cenário.
Para o analista sênior da T&F Consultoria, Luiz Carlos Pacheco, o conflito impacta o mundo inteiro por sua ligação direta com o petróleo. Segundo ele, a expectativa é de que o episódio tenha duração limitada, mas seus efeitos sobre preços e câmbio já começam a ser sentidos. O dólar chegou a oscilar acima de R$ 5,20 antes de recuar parcialmente.
No segmento de fertilizantes, o impacto pode ser mais direto. O Irã é fornecedor relevante de ureia ao Brasil. Em 2025, o país exportou 184,7 mil toneladas do produto ao mercado brasileiro, movimentando US$ 66,8 milhões. Especialistas apontam que qualquer interrupção no fluxo comercial pode reduzir a oferta e elevar as cotações.

Outro ponto de atenção envolve o gás natural. O Irã fornece insumo energético para países como Catar, Omã e Nigéria, importantes exportadores de nitrogenados ao Brasil. Caso haja restrição no fornecimento de gás, a produção de ureia nesses países pode ser afetada, impactando a disponibilidade global.
No comércio de grãos, o Irã é o principal destino do milho brasileiro. Em 2025, importou 9 milhões de toneladas, o equivalente a 23% das exportações nacionais. A expectativa, no entanto, é de manutenção da demanda no curto prazo, já que os embarques mais volumosos ocorrem a partir do segundo semestre, com a colheita da safrinha.
Para as carnes, analistas avaliam que a corrente de comércio tende a ser mantida, ainda que com custos logísticos mais elevados. Emirados Árabes Unidos e outros países da região seguem como compradores relevantes, especialmente de carne de frango e bovina.
Entidades do setor informaram que monitoram a situação e avaliam rotas alternativas já utilizadas em crises anteriores. Até o momento, não há registro de paralisação nas operações de exportação, mas o ambiente permanece sob observação.
Combinando petróleo, câmbio e insumos estratégicos, o conflito adiciona volatilidade a um ano já marcado por custos elevados e margens mais ajustadas no campo. O impacto efetivo dependerá da duração das tensões e da estabilidade das rotas comerciais nos próximos dias.
Fonte: informações de mercado e analistas do setor, adaptado pela equipe Feed&Food
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