O acordo comercial entre o Brasil e a União Europeia dominou os debates do ABMRA Ideia Café, realizado na última sexta-feira (27), em encontro promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro. O evento destacou o papel da comunicação como ferramenta estratégica para ampliar oportunidades comerciais e fortalecer a imagem do agronegócio brasileiro em um dos mercados mais exigentes do mundo.
Convidado do encontro, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária, Luis Rua, ressaltou a relevância econômica do bloco europeu, que reúne cerca de 450 milhões de consumidores, Produto Interno Bruto estimado em US$ 20 trilhões e responde por aproximadamente 14% das importações globais de produtos agropecuários.
Para o Brasil que exporta para mais de 190 países, a União Europeia é considerada estratégica tanto pelo volume de negócios quanto pela influência que exerce sobre normas e padrões do comércio internacional.
“A União Europeia é um mercado extremamente relevante, não só pelo tamanho, mas pelo poder aquisitivo e pelo grau de exigência regulatória”, afirmou Rua. Segundo ele, o acordo amplia a previsibilidade nas relações comerciais, prevê redução gradual de tarifas e fortalece a inserção do país em um ambiente mais estável.
O secretário também destacou que o tratado não altera os critérios sanitários já adotados pelo Brasil. “O acordo não muda absolutamente nada em termos de exigência sanitária. Nós já exportamos para a União Europeia há mais de 40 anos cumprindo todos os padrões exigidos”, declarou.

Comunicação como ativo estratégico
Se, por um lado, o ambiente regulatório europeu é rigoroso, por outro abre espaço para que o Brasil transforme conformidade técnica em ativo de reputação. Questões como mudanças climáticas, desmatamento, rastreabilidade e bem-estar animal fazem parte do debate público no bloco e influenciam decisões de compra.
Nesse cenário, a comunicação deixa de ocupar papel secundário e passa a integrar a estratégia internacional do setor. Rua defendeu que a construção de imagem deve estar baseada em dados concretos. “Não vamos construir uma mensagem a partir de um PowerPoint bonito. Vamos desconstruir uma imagem errônea sobre o Brasil e qualificar esse discurso com dados consistentes”, afirmou.
Entre os números apresentados está o potencial de recuperação de cerca de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas no País área superior ao território da Alemanha, estimado em 36 milhões de hectares. A ampliação da produção sem necessidade de abertura de novas áreas agrícolas foi apontada como um dos principais argumentos para demonstrar que o crescimento do agro brasileiro pode ocorrer com base em eficiência e sustentabilidade.
O presidente da associação, Ricardo Nicodemos, avaliou que o acordo amplia a visibilidade internacional do setor e aumenta a responsabilidade na construção de imagem. “O Brasil precisa assumir a liderança na construção da sua reputação no exterior. Temos escala, tecnologia e resultados concretos. Transformar isso em narrativa estratégica é essencial para ampliar mercados”, afirmou.
Durante o encontro, também foi ressaltado que o processo de ratificação do acordo ainda depende de trâmites políticos nos países europeus, o que exige manutenção de diálogo técnico e institucional permanente entre as partes.
Fonte: ABMRA, adaptado pela equipe Feed&Food.
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