O avanço das temperaturas exige atenção redobrada dos produtores de leite ao manejo das vacas. Em períodos de calor intenso, os animais podem ter dificuldade para dissipar o calor corporal, condição que afeta o desempenho zootécnico, os índices reprodutivos e a produção de leite. Nos casos mais críticos, as perdas na produção podem chegar a 20%.
Entre os principais sinais de estresse térmico estão respiração acelerada, maior busca por sombra e alterações no comportamento. Com o aumento da temperatura, as vacas passam mais tempo em pé e direcionam mais energia para mecanismos de perda de calor, em detrimento da alimentação.
O cenário climático previsto para os próximos meses amplia a preocupação. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há 75% de probabilidade de que o El Niño alcance, entre outubro e dezembro, intensidade superior à observada nos eventos registrados desde 1950. No Brasil, as previsões também indicam possibilidade de episódios de calor intenso em diferentes regiões.
De acordo com Hilton do Carmo Diniz Neto, médico-veterinário e gerente de produtos – Bovinos de Leite da Cargill Saúde e Nutrição Animal, o estresse térmico pode reduzir a ingestão de matéria seca e alterar o fluxo sanguíneo destinado ao úbere.
“Quando não há um controle eficiente, os prejuízos podem ser expressivos. No caso da produção de leite, por exemplo, o estresse causado pelo calor pode reduzir a produção em até 20%”, afirma.
O impacto tende a ser maior em situações de superlotação, quando há espaço insuficiente em cochos e bebedouros ou quando os equipamentos de resfriamento não recebem manutenção adequada.

Instalações e acesso à água são fundamentais
As instalações desempenham papel importante na dissipação do calor. Segundo o especialista, boa circulação de ar, áreas protegidas da radiação solar e sistemas de ventilação e aspersão em condições adequadas de funcionamento contribuem para melhorar o conforto térmico do rebanho.
Em sistemas com animais a pasto, a oferta de sombra deve receber atenção especial, principalmente nos horários de maior exposição ao sol.
O fornecimento de água fresca e limpa ao longo do dia também é essencial. Além da qualidade da água, produtores devem avaliar a quantidade e a distribuição dos bebedouros para garantir que todos os animais tenham acesso à hidratação sem competição excessiva.
Manejo nutricional ajuda a preservar desempenho
Durante os períodos mais quentes, as vacas tendem a reduzir o consumo de matéria seca, o que pode limitar a ingestão de energia e nutrientes e comprometer o desempenho do rebanho.
“É importante trabalhar para preservar o consumo e manter a dieta nutricionalmente equilibrada, já que a redução na ingestão pode comprometer o desempenho das vacas. O horário de fornecimento também pode ser ajustado para os períodos mais frescos do dia, quando a tendência é de maior consumo”, explica Diniz Neto.
A qualidade e a disponibilidade da alimentação também exigem monitoramento. Em dias quentes, a dieta pode sofrer alterações quando permanece exposta por períodos prolongados. Por isso, é importante evitar excesso de sobras e assegurar que o alimento permaneça em condições adequadas de consumo.
A adoção de medidas de resfriamento, manejo adequado da água e ajustes nutricionais pode ajudar a reduzir os impactos do estresse térmico e preservar o consumo e o desempenho das vacas durante os períodos de temperaturas elevadas.



Nenhuma discussão ainda. Seja o primeiro a comentar.