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Estimativa maior de safra mantém compradores de milho retraídos

Com estoques confortáveis e previsão de alta na produção, consumidores aguardam recuos mais expressivos nos preços, segundo o Cepea

A revisão para cima na estimativa de produção de milho na safra 2025/26 tem mantido parte dos compradores afastada das negociações. Segundo pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), consumidores indicam estoques confortáveis para as próximas semanas e aguardam quedas mais expressivas nos preços.

O movimento ocorre após a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgar, na semana passada, novos números para a temporada 2025/26. Entre os relatórios de abril e maio, houve aumento na previsão de produção do cereal, fator que reforçou a postura mais cautelosa dos compradores.

Primeira safra tem previsão de avanço

De acordo com a Conab, a primeira safra de milho 2025/26 está estimada em 28,46 milhões de toneladas. O volume é 14% superior ao registrado na temporada anterior e 2% acima da projeção divulgada no relatório de abril.

As altas refletem aumentos de área e produtividade na maior parte das regiões produtoras. Para o mercado, esse cenário amplia a percepção de maior disponibilidade do cereal, especialmente em um momento em que parte dos consumidores já trabalha com estoques considerados suficientes.

Indicador do milho registra recuo mensal, com compradores retraídos diante da maior estimativa de produção Crédito: Reprodução

Estoques dão fôlego aos consumidores

Pesquisadores do Cepea destacam que os estoques de passagem no início da temporada foram estimados entre os maiores dos últimos anos. Essa condição já oferecia maior tranquilidade aos compradores, sobretudo para aqueles que dependem do milho na formulação de rações.

O comportamento é acompanhado de perto pelas cadeias de proteína animal, já que o cereal tem peso direto nos custos de produção de aves, suínos, bovinos e peixes. Com compradores retraídos, o mercado tende a seguir atento à evolução da oferta, da colheita e das condições de armazenagem.

Vendedores mostram flexibilidade

Do lado vendedor, agentes seguem atentos às recentes quedas nos preços e à ocupação parcial dos armazéns, pressionada por safras remanescentes e pela colheita atual da safra verão de soja e milho.

Segundo o Cepea, esse cenário tem levado vendedores a demonstrar maior flexibilidade nas negociações, tanto em valores quanto em prazos de pagamento. A combinação entre oferta mais confortável, compradores cautelosos e necessidade de espaço nos armazéns deve seguir influenciando o ritmo do mercado nos próximos dias.

Fonte: Cepea, adaptado pela equipe Feed&Food

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