O crédito rural da agricultura empresarial somou R$ 391,2 bilhões entre julho de 2025 e abril de 2026, dentro do Plano Safra 2025/2026. O valor representa queda de 5% em relação ao mesmo período da safra anterior, quando as contratações chegaram a R$ 409,8 bilhões, segundo boletim divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
Apesar da retração no volume total, a Cédula de Produto Rural (CPR) ganhou espaço como principal instrumento de captação do agronegócio brasileiro. No período, a modalidade cresceu 10% e movimentou R$ 167 bilhões, passando a responder por 43% do total concedido na safra atual.
CPR amplia participação no financiamento
De acordo com a Secretaria de Política Agrícola do Mapa, o crescimento da CPR reflete a migração de produtores rurais e tradings para instrumentos de mercado. O movimento ocorre em um ambiente de custo financeiro elevado e maior restrição associada às linhas tradicionais de crédito.
Somando os recursos de custeio convencional à CPR, o financiamento destinado à produção agrícola alcançou R$ 292,6 bilhões, queda de apenas 1,6% na comparação com a safra anterior. O dado indica que, mesmo com menor volume total de crédito, as operações ligadas ao custeio da produção mantiveram maior estabilidade.

Industrialização registra avanço expressivo
O principal destaque positivo do boletim foi o crédito para industrialização, que cresceu 66%. O volume passou de R$ 17,1 bilhões para R$ 28,4 bilhões, sinalizando maior direcionamento de recursos para agregação de valor e expansão das cadeias agroindustriais.
Na direção oposta, o crédito de investimento recuou 29%, caindo de R$ 58,8 bilhões para R$ 41,6 bilhões. Todos os programas de investimento registraram queda na aplicação efetiva, com os maiores recuos no Prodecoop, Proirriga e Moderfrota.

Juros altos limitam investimentos
Segundo análise do Mapa, a retração dos investimentos reflete a cautela do setor diante das taxas de juros elevadas. O cenário também é influenciado por instabilidade internacional, aumento da inadimplência, altos custos de produção, riscos climáticos e maior seletividade das instituições financeiras na concessão de crédito.
O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) teve desempenho positivo, com crescimento de 3% em valor. As contratações chegaram a R$ 52,1 bilhões, indicando resiliência dos produtores de médio porte mesmo em um ambiente financeiro mais restritivo.

Sul lidera concessões regionais
Na distribuição regional das concessões, excluindo CPR, o Sul concentrou o maior volume, com R$ 65,9 bilhões. Em seguida aparecem Sudeste, com R$ 64,7 bilhões, e Centro-Oeste, com R$ 62,5 bilhões. O Nordeste registrou a maior retração entre as regiões, com queda de 29% em valor.
Entre as fontes de financiamento, a LCA Controlada teve forte crescimento, passando de R$ 808 milhões para R$ 27,8 bilhões. A modalidade se tornou a segunda maior fonte controlada, enquanto a LCA Livre recuou 35%. Já a Poupança Rural Livre avançou 38%, alcançando R$ 50 bilhões.
Próxima safra pode ter retomada gradual
Para a safra 2026/2027, o Mapa avalia que uma possível redução da taxa Selic até o fim de 2026 pode diminuir o custo do crédito rural e estimular a retomada dos programas de investimento. A expectativa é de recuperação gradual nas linhas tradicionais, especialmente nos programas que tiveram as maiores quedas nesta safra.
O comportamento do crédito rural segue como ponto central para o planejamento do agronegócio, com impacto direto sobre custeio, investimento, industrialização e capacidade de modernização das cadeias produtivas.
Fonte: Mapa, adaptado pela equipe Feed&Food
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