O debate sobre alimentação e consumo de proteína animal vem ganhando espaço nas redes sociais, acompanhado de dados e interpretações que, segundo especialistas, nem sempre refletem a realidade. Para o médico Juan Pablo Roig Albuquerque, especialista em psiquiatria metabólica e integrante do movimento “A carne do futuro é animal”, a circulação de informações distorcidas pode impactar percepções de saúde pública, especialmente quando envolve alimentação infantil.
O médico questiona conclusões associadas a pesquisas de opinião que sugerem queda significativa no consumo de carne no Brasil e expansão acelerada do veganismo. Para ele, o consumo de proteína animal segue relevante no país e continua central para a nutrição da população. O especialista afirma que o tema tem sido tratado, em muitos casos, com radicalismos e narrativas sem base técnica consistente.
O movimento “A carne do futuro é animal” reúne mais de 70 pecuaristas de Mato Grosso, organizados no Canivete Pool, e tem ampliado sua atuação para esclarecimento de percepções sobre consumo de carne. A iniciativa reforça que a proteína de origem animal reúne nutrientes considerados essenciais e destaca que dietas restritivas exigem acompanhamento médico adequado para evitar deficiências nutricionais em fases como infância, gestação e envelhecimento.

Entre os pontos levantados pelo especialista estão a importância de nutrientes como ferro, vitamina B12 e compostos associados ao desempenho metabólico, além de alertas para quadros clínicos observados em pacientes que adotam dietas restritivas sem suplementação adequada. Segundo ele, a diversidade alimentar é positiva, mas deve estar associada a orientação técnica e responsabilidade.
Outro ponto abordado pelo movimento é o esclarecimento de conceitos ligados à digestão da carne, frequentemente distorcidos em redes sociais. O especialista reforça que a fisiologia humana é apta à digestão adequada desse alimento e que o consumo precisa ser analisado dentro de um contexto alimentar amplo, e não isoladamente.
O movimento também avalia que a produção de carne cultivada em laboratório ainda apresenta desafios relacionados a custo, impacto ambiental e disponibilidade em escala. Para os produtores, os modelos de produção adotados no Brasil, com sistemas baseados em pastagens, integração produtiva e rastreabilidade, seguem avançando em eficiência ambiental e produtiva.
A campanha destaca, ainda, o trabalho do Canivete Pool na adoção de práticas voltadas à gestão, produtividade e monitoramento de indicadores em propriedades rurais, buscando aliar desempenho econômico e responsabilidade ambiental na produção de carne bovina.
Fonte: Movimento “A carne do futuro é animal”, adaptado pela equipe Feed&Food
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