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Escassez de gado ameaça frigoríficos nos EUA e mantém carne cara

Menor rebanho em mais de meio século pressiona indústria, reduz oferta e influencia preços no mercado interno americano

escassez de gado nos EUA

Os frigoríficos dos Estados Unidos atravessam um período de forte tensão em meio à escassez de gado disponível para abate. O país enfrenta o menor rebanho bovino em mais de meio século, quadro que já compromete a operação de grandes unidades processadoras e mantém os preços da carne bovina em níveis elevados.

Levantamento com analistas realizado pela Bloomberg News indicava que o número de animais colocados em confinamento em novembro caiu ao menor patamar para o mês desde 2015, tendência confirmada pelos dados divulgados pelo Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O movimento reforça um cenário de retração observado ao longo do ano.

Tradicionalmente o mês com maior entrada de animais em confinamento, outubro registrou o menor volume já visto para o período. A situação se agravou com a interrupção dos embarques de gado do México, adotada como medida sanitária para conter a disseminação da mosca-da-bicheira, praga fatal para o rebanho.

escassez de gado nos EUA
Frigoríficos dos Estados Unidos atravessam um período de forte tensão em meio à escassez de gado disponível para abate. Crédito: Reprodução

Com oferta mais restrita, parte da indústria já opera no vermelho. A menor disponibilidade de gado sustenta patamares elevados de preços ao consumidor, dificultando as iniciativas do governo do presidente Donald Trump para reduzir a pressão inflacionária sobre a carne bovina.

Em meio às dificuldades, a Tyson Foods anunciou recentemente o fechamento de uma planta no Nebraska e a redução das operações para apenas um turno em uma unidade no Texas. Segundo especialistas do setor, pelo menos mais uma grande fábrica e unidades regionais podem encerrar atividades nos próximos meses caso o cenário não mude.

O governo americano tem ampliado importações de carne bovina e suspendeu tarifas elevadas sobre embarques do Brasil. Ainda assim, mesmo com previsão de alta de 15% nas compras externas, elas devem representar somente cerca de 17% do abastecimento total dos EUA, com predominância de carne magra destinada à produção de carne moída, o que limita impacto sobre cortes de maior valor.

Diante disso, especialistas avaliam que a retomada do fluxo de gado vivo pela fronteira sul pode ser decisiva para aliviar custos da indústria e contribuir para a redução gradual dos preços no mercado americano.

Fonte: Bloomberg / USDA, adaptado pela equipe Feed&Food

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