A Embrapa iniciou uma nova etapa de sua estratégia internacional com a implantação de uma fazenda-modelo na Etiópia, voltada à adaptação de tecnologias da pecuária brasileira ao contexto produtivo africano. A iniciativa integra ações de cooperação técnica e busca ampliar a presença do Brasil em mercados emergentes.
A missão técnica, composta por pesquisadores da unidade Gado de Corte, de Campo Grande (MS), esteve no país entre os dias 28 e 5 de março, com o objetivo de estruturar a primeira Unidade de Referência Tecnológica Internacional (URTI) no continente africano.
Projeto foca adaptação de tecnologias ao contexto local
Diferente de modelos tradicionais de transferência de tecnologia, a proposta prevê a adaptação das soluções brasileiras às condições locais. Na Etiópia, a produção pecuária está fortemente ligada a fatores climáticos e à atuação de pequenos produtores, além de desempenhar funções além da produção de carne, como tração e geração de renda.
O projeto busca desenvolver um modelo produtivo ajustado a essas características, considerando limitações estruturais e a necessidade de eficiência no uso de recursos.
Cooperação internacional estrutura modelo de inovação
A iniciativa envolve parcerias com instituições locais e organismos internacionais. A agenda técnica incluiu reuniões em Adis Abeba e o encontro “Brazilian Technology Reference Farm – 1st Working Meeting”, que reuniu cerca de 40 organizações.
Entre os participantes estão entidades multilaterais e centros de pesquisa, em um arranjo que combina pesquisa, financiamento e aplicação prática das tecnologias no campo.

Fazenda-modelo será base para testes produtivos
A Oro Meat Farm foi definida como base experimental do projeto. No local, serão testadas tecnologias voltadas à intensificação sustentável da pecuária, incluindo melhoramento genético, biotecnologias reprodutivas e estratégias de nutrição animal.
Também estão previstas práticas de bem-estar animal e sistemas integrados, como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), além de soluções voltadas à retenção hídrica e eficiência no uso do solo.
Eficiência produtiva e sustentabilidade no centro da estratégia
Em regiões como o Rift Valley etíope, a produtividade está diretamente ligada à gestão eficiente de recursos naturais. Nesse cenário, tecnologias de baixo carbono e sistemas integrados ganham relevância não apenas ambiental, mas também econômica.
A proposta busca aumentar a produtividade sem ampliar a pressão sobre recursos naturais, alinhando produção e sustentabilidade.
Projeto pode abrir espaço para empresas brasileiras
Além do aspecto técnico, a iniciativa também tem impacto potencial no comércio internacional. A implementação da URTI pode facilitar a entrada de empresas brasileiras no mercado africano, especialmente nos segmentos de genética, insumos e tecnologias agropecuárias. A fazenda-modelo funciona, nesse contexto, como vitrine tecnológica e instrumento de aproximação comercial.
Estratégia reforça presença global do agro brasileiro
O projeto faz parte de uma estratégia mais ampla de internacionalização da Embrapa, voltada à ampliação de sua atuação em regiões tropicais e à participação em agendas globais.
A expectativa é que os resultados da iniciativa sejam apresentados em fóruns internacionais, como a Conferência do Clima da ONU (COP-32), prevista para ocorrer na Etiópia.
A iniciativa reforça o papel da tecnologia tropical brasileira como ferramenta estratégica em um cenário global marcado pela busca por segurança alimentar e produção sustentável.
Fonte: Embrapa, adaptado pela equipe Feed&Food
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