Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br
Com o crescimento da aquicultura brasileira nos últimos anos, o desafio de alinhar produtividade e sustentabilidade tornou-se prioridade para o setor. Nesse cenário, a Embrapa Meio Ambiente (SP) deu início a um projeto de pesquisa voltado à identificação de estratégias que possam reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) na piscicultura, especialmente em sistemas de viveiros escavados, amplamente utilizados no país.
A proposta da pesquisa é entender como diferentes fatores da produção aquícola — como manejo alimentar, qualidade da água, tipo de solo e densidade de estocagem — influenciam a liberação de gases como metano (CH₄), dióxido de carbono (CO₂) e óxido nitroso (N₂O). A partir dessas análises, os pesquisadores pretendem desenvolver recomendações técnicas e boas práticas que ajudem os produtores a reduzir o impacto ambiental de suas atividades, sem comprometer o desempenho produtivo.
De acordo com a pesquisadora Carolina Tavares, da Embrapa Meio Ambiente, a iniciativa também busca preencher lacunas científicas sobre o papel da piscicultura nas emissões de GEE. “Apesar de sua importância crescente na matriz produtiva do país, ainda há poucos dados consolidados sobre como a piscicultura contribui para as emissões, sobretudo em diferentes regiões e condições de produção. Nossa meta é gerar informações robustas e aplicáveis, que apoiem tanto os produtores quanto os formuladores de políticas públicas”, afirma.

O projeto contará com a participação de outras unidades da Embrapa e instituições parceiras, e será conduzido em diferentes biomas brasileiros para contemplar a diversidade de sistemas e condições ambientais. Os testes em campo e em laboratório envolvem desde a quantificação direta das emissões nos viveiros até a análise de variáveis ambientais que influenciam os processos de degradação da matéria orgânica e a liberação de gases.
Outro ponto central da pesquisa é o potencial uso de soluções baseadas na natureza e no manejo integrado. Estratégias como o uso de aeradores, controle do excesso de matéria orgânica no fundo dos viveiros, formulação de rações mais digestíveis e sistemas integrados com outras culturas (como a aquaponia) estão entre as possíveis abordagens a serem exploradas.
Essa iniciativa dialoga com os compromissos assumidos pelo Brasil em fóruns internacionais, como o Acordo de Paris, e com os esforços do agronegócio nacional para reduzir sua pegada de carbono. Ao mesmo tempo, reforça o papel da Embrapa na geração de soluções tecnológicas voltadas a uma produção agropecuária mais sustentável e eficiente.
A piscicultura tem se consolidado como uma das atividades de maior expansão no agronegócio, com destaque para espécies como tilápia, tambaqui e pacu. Segundo dados da Associação Brasileira da Piscicultura (Peixe BR), a produção nacional ultrapassou 860 mil toneladas em 2023, com forte presença nos estados de Paraná, Rondônia, São Paulo, Maranhão e Mato Grosso.
Nesse contexto, aliar crescimento produtivo à conservação ambiental é fundamental para garantir a sustentabilidade a longo prazo da atividade. Os resultados da pesquisa da Embrapa devem ser publicados nos próximos anos e servirão de base para ações de capacitação, extensão rural e formulação de políticas públicas voltadas ao setor.
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