Caroline Mendes, de São Paulo (SP)

Durante sua apresentação no evento, a chefe de P&D da Embrapa Pesca e Aquicultura, Lícia Maria Lundstedt, reforçou o papel estratégico da pesquisa científica para o desenvolvimento da aquicultura brasileira de forma sustentável e competitiva. Segundo ela, a unidade sediada em Palmas (TO) concentra esforços em temas como conservação e melhoramento genético, nutrição e alimentação, sistemas de produção, processamento e aproveitamento do pescado, além de economia e mercado.
Entre os avanços, Lícia destacou o melhoramento genético da tilápia – espécie mais cultivada no Brasil – e os esforços para estruturar pacotes tecnológicos robustos para espécies nativas, como o tambaqui e o pirarucu. “A aquicultura é a única cadeia de proteína animal que pode competir no cenário internacional com uma espécie nativa”, ressaltou.
A pesquisadora também apresentou iniciativas inovadoras, como os sistemas integrados de aquicultura e agricultura, que utilizam efluentes de tanques de peixes na irrigação de culturas agrícolas, e os cultivos multitróficos com espécies nativas, a exemplo do tambaqui, corimba e camarão amazônico. Esses modelos buscam reduzir o uso de insumos e garantir maior viabilidade econômica aos produtores.
Outro destaque foi o uso de tecnologias de edição genômica, como a CRISPR-Cas9, que permitem acelerar programas de melhoramento e até eliminar espinhos intramusculares de espécies como o tambaqui, facilitando o consumo e abrindo novas oportunidades de mercado. “Nosso maior desafio é garantir que o esforço de pesquisa resulte em impacto direto no campo, seja para o produtor, a indústria ou o consumidor final”, afirmou.
Além das soluções tecnológicas, Lícia lembrou que a nutrição responde por até 80% do custo de produção em sistemas intensivos, o que torna essencial avançar em nutrição de precisão, protocolos de processamento de rações e uso de aditivos naturais.
Com projetos que envolvem desde pequenas comunidades até sistemas produtivos de larga escala, a Embrapa Pesca e Aquicultura aposta em parcerias nacionais e internacionais para fortalecer a cadeia aquícola brasileira e consolidar o país como referência global em produção sustentável de pescado.
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