Por Alessandra Souza*
A estrutura familiar brasileira vem passando por transformações significativas, com o crescimento de lares unipessoais e famílias menores. Dados recentes do IBGE, divulgados no fim de 2023, revelam que 18,9% dos domicílios são ocupados por apenas uma pessoa — um aumento expressivo em relação a 2010, quando esse percentual era de 12,2%. O número de famílias compostas por casais sem filhos também cresceu, passando de 16,1% para 20,2%.
Esse novo perfil de consumo, somado ao aumento dos custos com alimentação, tem impulsionado a busca por porções menores e embalagens que preservem o frescor dos alimentos por mais tempo. Nesse cenário, as soluções case-ready, como as embalagens termoformadas, surgem como uma resposta estratégica da indústria para atender às novas exigências dos consumidores.
Entre os principais diferenciais da termoformagem está a flexibilidade no design e na escala de produção. Moldes personalizados possibilitam desde embalagens compactas para queijos até bandejas maiores para cortes especiais de carnes, atendendo a uma ampla variedade de aplicações. Além do apelo visual, essas embalagens oferecem segurança alimentar, fator cada vez mais valorizado. Com a migração do varejo para produtos embalados na origem, cresce a demanda por soluções que reduzam o contato humano e protejam os alimentos contra contaminações.
Tecnologias como o Vacuum Skin Packaging são exemplos claros de como a embalagem pode contribuir para a conservação dos alimentos. Esse tipo de aplicação, que envolve o produto com um filme aderente, reduz a oxidação, prolonga o frescor, intensifica a maturação úmida (wet aging) e aumenta a vida útil nas gôndolas. A resistência mecânica superior dessas embalagens também minimiza rompimentos, vazamentos e contaminações cruzadas, elevando a experiência do consumidor e a integridade do produto durante o transporte e manuseio.
Outro ponto relevante é o combate ao desperdício. As embalagens termoformadas permitem o porcionamento inteligente — como unidades individuais seladas separadamente — o que evita o descarte de alimentos não consumidos. Estudos do setor apontam que o formato single-serve prolonga a validade e mantém a qualidade até o momento do consumo. Essa abordagem se alinha a um problema global urgente: o desperdício alimentar. No Brasil, estima-se que mais de 55 milhões de toneladas de alimentos sejam desperdiçadas anualmente, o equivalente a cerca de 34% da produção nacional.

Além de preservar alimentos, as embalagens termoformadas contribuem para o uso mais eficiente de recursos naturais e para a sustentabilidade da cadeia. Muitas dessas embalagens são recicláveis e, quando corretamente descartadas, podem ser reinseridas na cadeia produtiva, reduzindo o impacto ambiental.
As perspectivas para o setor são positivas. Com uma demanda crescente por conveniência, segurança e sustentabilidade, o mercado global de embalagens plásticas termoformadas deve alcançar US$ 11 bilhões até 2030, com crescimento anual de cerca de 5%. A expansão do e-commerce de alimentos e a complexidade das cadeias logísticas também impulsionam o uso dessas soluções, que preservam a qualidade e aparência dos produtos até o consumidor final.
Em um cenário de consumidores mais exigentes e mercados cada vez mais dinâmicos, as soluções case-ready se consolidam como ferramenta essencial para a indústria alimentícia. Elas combinam tecnologia, praticidade, segurança e apelo visual, atendendo à evolução dos hábitos de consumo e às demandas por eficiência e sustentabilidade. A inovação em embalagens não é apenas uma tendência, mas uma estratégia necessária para garantir competitividade no presente e relevância no futuro.
*Diretora de Marketing para América do Sul da Sealed Air
Fonte: Sealed Air Corporation, adaptado pela equipe FeedFood
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