O avanço do El Niño vem alterando condições de temperatura, chuva e umidade na Amazônia e reforça a necessidade de planejamento para a pesca e a aquicultura. Dados do Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) mostram intensificação das anomalias climáticas ao longo de 2026.
O observatório está instalado na Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Uatumã, a cerca de 150 quilômetros de Manaus (AM), e monitora variáveis como precipitação, temperatura e umidade do ar, temperatura do solo e disponibilidade de água.
Setembro registra forte déficit de chuva
Os dados atualizados indicam apenas 9 mm de precipitação em setembro, ante uma normal climatológica de 68 mm. O volume ficou aproximadamente 87% abaixo da referência histórica.
No mesmo mês, a temperatura do ar medida a 81 metros ficou 2,7°C acima da normal climatológica. A umidade relativa apresentou anomalia negativa de 14,7 pontos percentuais.

O solo também respondeu às condições mais secas. A temperatura a 10 centímetros de profundidade ficou 1,2°C acima da normal, enquanto o teor de água apresentou redução de 0,02 m³/m³.
Pesca e cultivos exigem monitoramento
Para pesca e aquicultura, a combinação entre calor e menor precipitação pode afetar níveis dos rios, disponibilidade de água, navegação e acesso a comunidades.
Nos sistemas aquícolas, mudanças na temperatura da água também exigem acompanhamento de parâmetros como oxigênio dissolvido e qualidade da água, que interferem diretamente na saúde e no desempenho dos peixes.
O Ministério da Pesca e Aquicultura recomenda que gestores, pescadores e aquicultores acompanhem boletins meteorológicos e hidrológicos e mantenham planos de resposta para períodos de seca, calor intenso ou alterações rápidas nos corpos d’água.
O El Niño segue em intensificação e deve permanecer, pelo menos, até o início de 2027, mantendo o monitoramento climático como ferramenta para reduzir riscos no setor.



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