O El Niño, confirmado em junho de 2026, pode alterar o fluxo de matérias-primas e o caixa das agroindústrias brasileiras durante a safra 2026/27. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou, em 14 de agosto, que há probabilidade igual ou superior a 90% de o evento atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão. A permanência é prevista até, pelo menos, março de 2027.
Os efeitos devem variar regionalmente. No Sul, a tendência é de chuvas acima da média, com riscos de encharcamento, doenças, dificuldades operacionais e atrasos na colheita. Norte e Nordeste podem registrar precipitações mais irregulares e abaixo da média a partir de outubro.
Impactos avançam pela cadeia
Problemas de produtividade, qualidade ou calendário podem modificar o volume e o momento de entrega de soja, milho e outras matérias-primas. Para as agroindústrias, isso exige ajustes em compras, estoques, contratos, processamento e distribuição.
Na avaliação de Priscila de Freitas, diretora de crédito da Multiplike, o desencontro entre recebimento da matéria-prima e geração de receita pode pressionar o capital de giro e comprometer obrigações previamente assumidas.

Perdas ainda são incertas
O 11º levantamento da Conab estima 180,5 milhões de toneladas de soja e 143 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Juntas, as culturas alcançam 323,5 milhões de toneladas, o que demonstra a dimensão da cadeia potencialmente exposta.
Os órgãos oficiais consultados, contudo, não projetam perda nacional de 10% para 2026/27. O percentual apresentado no release deve ser tratado somente como simulação de risco, e não como previsão de quebra da safra.
Planejamento ganha relevância
Entre os pontos de atenção estão a diversificação de fornecedores, a revisão de contratos, a formação de estoques e a elaboração de cenários de liquidez. O crédito estruturado pode ser uma alternativa, mas sua contratação deve considerar custos, prazos, garantias e capacidade de pagamento.
A Multiplike informa ter reservado R$ 6 bilhões para operações destinadas às agroindústrias em 2026. O montante representa uma disponibilidade declarada pela própria empresa, não o volume total oferecido pelo mercado brasileiro.



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