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Mesa de Mercado · CEPEA
Bezerro MSR$ 3.453,55=
Bezerro SPR$ 3.286,99=
Boi GordoR$ 366,50=
Soja PRR$ 154,35=
Soja PortoR$ 160,90=
MilhoR$ 68,58=
Suíno Carc.R$ 8,50=
Suíno PRR$ 5,44=
Suíno SCR$ 5,33=
Suíno SPR$ 5,84=
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El Niño muito forte aumenta riscos para commodities agrícolas e pode afetar custos da cadeia de proteína animal

O fortalecimento do El Niño deve ampliar os riscos climáticos para as commodities agrícolas no quarto trimestre de 2026 e no início de 2027, com possíveis reflexos sobre a oferta de matérias-primas utilizadas na produção de proteína animal. Segundo relatório da Hedgepoint Global Markets, o fenômeno tem mais de 90% de probabilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro de 2026 e janeiro de 2027.

Para os setores de aves, suínos e bovinos, o comportamento dos mercados de grãos merece atenção, especialmente diante dos possíveis impactos sobre a produção de soja e milho, importantes insumos para a fabricação de rações. Os efeitos, porém, devem variar conforme as condições climáticas de cada região e o desempenho das safras.

Além dos fatores climáticos, a análise aponta que um dólar valorizado, juros reais elevados e uma postura mais restritiva do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, podem limitar a demanda por commodities e reduzir o apetite por investimentos especulativos.

Soja e milho: demanda e clima no radar

No mercado de soja, os preços encontraram sustentação no aumento da mistura de biodiesel nos Estados Unidos e no crescimento das compras chinesas de soja norte-americana. Para os próximos meses, as condições climáticas na América do Sul serão determinantes para o desenvolvimento das novas safras.

De acordo com a Hedgepoint, o El Niño pode favorecer as lavouras de soja e milho no sul do Brasil e na Argentina, enquanto áreas do centro-norte brasileiro podem enfrentar condições de baixa umidade. Essa distribuição irregular das chuvas pode gerar diferenças de produtividade entre as regiões produtoras.

No milho, a forte demanda por exportações dos Estados Unidos e a expectativa de uma safra menor no país contribuíram para sustentar os preços. As dificuldades logísticas no Mar Negro, relacionadas ao conflito entre Rússia e Ucrânia, também influenciaram o mercado.

Já o trigo recebeu suporte de preocupações com o desenvolvimento das lavouras de inverno norte-americanas, interrupções logísticas e perspectivas de menor produção global e estoques mais restritos na safra 2026/27. Na Argentina, o excesso de chuvas pode prejudicar a colheita e a qualidade do trigo de inverno.

Açúcar e café enfrentam cenários distintos

No mercado de açúcar, as condições climáticas seguem como fator de risco para a oferta global. As chuvas no Centro-Sul brasileiro podem comprometer o andamento da moagem e limitar a recuperação do Açúcar Total Recuperável (ATR), indicador relacionado à quantidade de açúcar que pode ser extraída da cana.

Na Ásia, condições mais quentes e secas, especialmente na Índia e na Tailândia, também elevam as preocupações com a produtividade. A Índia poderá precisar importar açúcar entre o quarto trimestre de 2026 e o primeiro trimestre de 2027, dependendo dos efeitos do clima sobre a produção.

Para o café, a perspectiva é de maior pressão de baixa com a entrada da safra brasileira 2026/27 no mercado. Apesar disso, riscos climáticos no Sudeste Asiático e na Colômbia, além das temperaturas elevadas no Brasil, podem aumentar a volatilidade dos preços.

Mercado internacional e energia ampliam incertezas

O relatório também destaca a influência do mercado de energia sobre o cenário global. No terceiro trimestre, restrições à circulação pelo Estreito de Ormuz, redução da capacidade regional de refino e ataques a refinarias russas afetaram o abastecimento de derivados de petróleo.

Segundo a Hedgepoint, o principal gargalo foi a capacidade de refino, e não necessariamente a oferta de petróleo bruto. O spread entre os preços dos derivados e do petróleo, conhecido como crack spread, registrou níveis elevados, com destaque para o diesel.

Para o quarto trimestre, a evolução dos conflitos no Oriente Médio, as condições de navegação no Estreito de Ormuz, as decisões da OPEP+ e a demanda sazonal de inverno permanecem entre os fatores de atenção.

Dólar e juros podem limitar a valorização

Apesar dos riscos climáticos e das possíveis restrições de oferta, a valorização das commodities não é garantida. A Hedgepoint projeta um ambiente de dólar firme, rendimentos reais elevados e política monetária mais restritiva nos Estados Unidos, combinação que tende a limitar a demanda e as compras especulativas.

Para a cadeia de proteína animal, a combinação entre clima, preços internacionais dos grãos, energia e câmbio será importante para acompanhar a evolução dos custos de produção. Eventuais alterações na oferta de milho e soja podem afetar o mercado de rações e, consequentemente, as margens de produtores de aves e suínos, embora a intensidade desse impacto dependa do resultado das safras, da disponibilidade regional e das condições comerciais.

O cenário para o fim de 2026 e o início de 2027, portanto, reúne riscos climáticos relevantes e fatores macroeconômicos capazes de influenciar a demanda, exigindo atenção dos agentes das cadeias agrícola e pecuária.

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