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El Niño muito forte amplia pressão por adaptação climática no agro

Coalizão Brasil propõe mudanças no crédito e no seguro rural, além da expansão de tecnologias capazes de reduzir riscos produtivos

A possibilidade de um El Niño de intensidade histórica amplia a preocupação com a capacidade de adaptação da agropecuária brasileira. Segundo o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos, há 81% de chance de o fenômeno atingir a categoria “muito forte” entre outubro e dezembro de 2026, além de 97% de probabilidade de persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte.

A intensidade do fenômeno não determina, isoladamente, os impactos em cada região, mas aumenta a possibilidade de alterações nos padrões de temperatura e precipitação, com secas, chuvas intensas e ondas de calor em diferentes partes do mundo. Os efeitos exatos sobre o Brasil dependerão da interação com outros fatores atmosféricos.

Instrumentos financeiros precisam avançar

Diante do cenário, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura defende a modernização do crédito e do seguro rural para ampliar a proteção da renda diante de perdas provocadas por eventos extremos. As propostas integram um documento apresentado pela organização aos candidatos nas eleições de 2026.

Contrastes climáticos sobre lavouras e pastagens reforçam a necessidade de práticas resilientes para reduzir riscos e preservar a produtividade no campo. Crédito: Imagem Gerada por IA.

“Não podemos mais tratar eventos extremos como exceções”, afirma Leila Harfuch, integrante do Grupo Estratégico da Coalizão e sócia-gerente da Agroicone. Segundo ela, planejamento territorial, aplicação do Código Florestal e instrumentos financeiros adequados são necessários para reduzir vulnerabilidades.

Tecnologias fortalecem sistemas produtivos

O documento também propõe ampliar práticas como plantio direto, uso de bioinsumos, recuperação de áreas degradadas e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF). As tecnologias podem melhorar a estrutura do solo, aumentar a retenção de água e reduzir a exposição das propriedades às oscilações climáticas.

Para Rodrigo Castro, integrante do Grupo Estratégico da Coalizão e diretor de País da Fundação Solidaridad, conservação e manejo sustentável da terra precisam ser tratados como componentes da estratégia econômica das propriedades.

A entidade também defende maior acesso à assistência técnica, para que produtores consigam avaliar riscos e escolher soluções compatíveis com a realidade de cada região. A combinação entre crédito, seguro, informação climática e manejo será determinante para preservar produtividade, abastecimento e competitividade.

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