A integração logística tem ganhado importância para a competitividade da cadeia de proteína animal brasileira. Com grandes volumes de matérias-primas, insumos e produtos acabados em circulação, conectar produtores, agroindústrias, transportadoras e centros de distribuição tornou-se estratégico para reduzir custos, ampliar a previsibilidade e garantir a eficiência das operações.
Em 2025, o agronegócio respondeu por 25,13% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, segundo dados do Cepea/CNA. Para a safra 2025/26, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima uma produção de 361,7 milhões de toneladas de grãos, crescimento de 2,6% em relação ao ciclo anterior. O desempenho da agricultura tem reflexos diretos sobre a produção de aves e suínos, especialmente pela importância do milho e da soja na fabricação de rações.
Além do abastecimento das granjas e agroindústrias, a logística de proteína animal envolve desafios específicos no transporte de carnes e produtos processados, que exigem rastreabilidade, controle de temperatura e cumprimento de prazos de entrega.
As condições da infraestrutura também pressionam os custos. Segundo a Pesquisa CNT de Rodovias 2025, as condições inadequadas do pavimento elevam, em média, 31,2% os custos operacionais do transporte rodoviário nos trechos avaliados.
Para Thiago Cardoso, executivo responsável pelo segmento de Agronegócio na nstech, empresa de tecnologia para supply chain, a integração entre os diferentes elos da cadeia é um dos caminhos para melhorar o desempenho logístico. Segundo ele, a conexão de informações permite coordenar operações desde o abastecimento de insumos até a distribuição dos produtos acabados.
Entre as principais oportunidades estão a integração de produtores, fornecedores, transportadoras e agroindústrias; o uso de ferramentas de planejamento e monitoramento para aumentar a previsibilidade das operações; e a adoção de tecnologias de rastreabilidade e gestão de riscos.
Na avicultura e na suinocultura, a regularidade no fornecimento de milho, farelo de soja e outros ingredientes é fundamental para evitar interrupções na produção e controlar custos. Já na distribuição de carnes refrigeradas e congeladas, o acompanhamento das condições de transporte e a coordenação entre veículos, unidades industriais e destinos são essenciais para preservar a qualidade dos alimentos.
Nesse cenário, soluções como torres de controle logísticas, sistemas de agendamento e gestão de pátios permitem acompanhar cargas em tempo real, reduzir períodos de espera e antecipar possíveis problemas operacionais.
A nstech aposta nesse modelo por meio do Transportation Network System (TNS), conceito de rede logística integrada que conecta empresas, pessoas, dados e soluções ao longo da jornada de transporte. A proposta é ampliar o compartilhamento de informações entre embarcadores, transportadoras e operadores logísticos.
Para Cardoso, o avanço da transformação digital depende da capacidade de conectar diferentes participantes do ecossistema. Quanto maior a integração entre os agentes, maiores as oportunidades de colaboração, inteligência operacional e eficiência para toda a cadeia de proteína animal.



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