O governo egípcio pretende posicionar o país como uma plataforma de acesso para empresas brasileiras aos mercados árabes e africanos. A proposta foi apresentada pelo ministro do Planejamento e Desenvolvimento Econômico do Egito, Ahmed Rostom, na terça-feira (25), durante o 5º Fórum Econômico Brasil-Países Árabes, realizado em São Paulo (SP).
Em mensagem de vídeo, Rostom afirmou que transformações geoeconômicas, climáticas e tecnológicas estão reorganizando cadeias de suprimentos e exigindo parcerias mais integradas. Segundo ele, Brasil e países árabes já construíram uma relação de confiança, mas precisam ampliar a cooperação para além das trocas comerciais.
Energia e agricultura aproximam países
O ministro informou que o Egito está acelerando investimentos em energia solar para ampliar a oferta de eletricidade limpa e atrair indústrias estrangeiras, inclusive brasileiras. Em contrapartida, o país demonstra interesse em utilizar tecnologias desenvolvidas pelo Brasil na produção agrícola.
Rostom também atribuiu ao setor privado a execução das oportunidades identificadas pelos governos. Entre as medidas defendidas estão a redução de barreiras comerciais, a facilitação de investimentos e a construção de cadeias de suprimentos mais resistentes a crises internacionais.

Acordo entra em nova etapa
A aproximação conta com o Acordo de Livre Comércio Mercosul–Egito, vigente desde setembro de 2017. Conforme o Siscomex, o tratado abrange aproximadamente 9,8 mil linhas tarifárias e prevê a conclusão do cronograma de desgravação em 1º de setembro de 2026.
O acordo trata de comércio de bens, regras de origem, barreiras técnicas e medidas sanitárias e fitossanitárias. Também contempla a possibilidade de futuras negociações relacionadas a serviços e investimentos.
Comércio mantém crescimento
Dados apresentados pela Câmara Árabe mostram que as exportações brasileiras aos países árabes somaram US$ 11,26 bilhões entre janeiro e julho de 2026, crescimento de 3,71%. No sentido contrário, as vendas árabes ao Brasil chegaram a US$ 6,13 bilhões, alta de 12,22%.
Durante o fórum, Rostom defendeu que esse fluxo seja acompanhado por investimentos conjuntos, transferência de tecnologia e maior integração logística. A programação também abordou segurança alimentar, fertilizantes, energia e inovação.



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