A disparada do barril de petróleo, que já ultrapassa os US$ 100 em meio às tensões no Oriente Médio e às restrições logísticas em rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, reacende o alerta para uma nova onda de pressão inflacionária global. No Brasil, os efeitos começam a aparecer tanto no custo dos combustíveis quanto na estrutura produtiva e logística do país.
Para Luciano Carlos Fracola, gerente de Assessoria Aduaneira do Fiorde Group, o impacto não se restringe ao preço nas bombas. “Quando o petróleo sobe de forma consistente, o primeiro efeito é inflacionário. Mas ele não para aí. Energia, transporte e produção industrial dependem diretamente do petróleo. Com custos maiores, as empresas reduzem margem, reavaliam investimentos e o consumo desacelera como consequência”, afirma.
De acordo com ele, a alta do petróleo atinge a economia em múltiplas frentes. “Uma delas, claro, é o fato de os combustíveis ficarem mais caros. Gasolina, diesel e gás de cozinha tendem a acompanhar o movimento internacional. No Brasil, onde a política de preços considera o mercado externo, os repasses podem ocorrer em poucas semanas”, pontua. “O choque já está acontecendo. Em algumas regiões já vemos gasolina próxima de R$ 9. Diesel e gás de cozinha também sofrem pressão”, diz Fracola.
Ele explica que mais de 90% do transporte de cargas no Brasil é feito por rodovias. Como o diesel é o principal insumo do frete, qualquer alta relevante impacta diretamente o preço final de alimentos, produtos industriais e serviços. “Aumentou o diesel, aumenta o frete. E esse custo é repassado ao longo da cadeia. Não é só combustível, é toda a estrutura de preços da economia”, detalha.

Pressão sobre importadores e comércio exterior
O aumento do combustível e do risco geopolítico também eleva seguros e fretes internacionais. Segundo Luciano, já há registros de fretes da Ásia para o Brasil na faixa de US$ 8 mil, patamar semelhante ao observado durante a pandemia. “Para o exportador o impacto pode ser parcialmente compensado pelo câmbio ou pela demanda externa. Para o importador, o efeito é direto no custo final”, afirma. Ele destaca que há o risco de desaceleração econômica. “Com inflação mais alta, o poder de compra das famílias diminui. Empresas, diante de margens comprimidas, tendem a adiar investimentos. O resultado pode ser menor crescimento econômico se o cenário persistir”, afirma.
Quem perde e quem pode ganhar
Carlos Fracola explica que o impacto tende a ser negativo para a maior parte da economia. “Setores dependentes de transporte e logística, como indústria, varejo, agronegócio e aviação, sentem pressão imediata. Por outro lado, empresas ligadas à exploração e produção de petróleo podem registrar aumento de receitas no curto prazo. Ainda assim, o efeito agregado sobre a atividade tende a ser de cautela e desaceleração”, afirma. “As alternativas não são amplas, mas existem medidas de mitigação. Segundo Luciano, uma das principais ferramentas é fiscal. “O instrumento mais imediato é reduzir ou retirar impostos sobre combustíveis para aliviar o impacto direto no frete e no transporte. Isso ajuda a conter parte da pressão inflacionária”, diz.
Outra frente envolve política monetária e planejamento econômico. “É preciso cuidado para que o combate à inflação via juros não gere uma desaceleração excessiva da atividade. O equilíbrio entre política fiscal e monetária será determinante”, finaliza.
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