A pecuária de corte brasileira segue com perspectivas favoráveis no médio e longo prazo, sustentada por uma combinação de oferta mais restrita de gado e demanda externa aquecida. Apesar de fatores conjunturais, como tensões geopolíticas e aumento de custos, o setor mantém fundamentos considerados sólidos por analistas, aponta o Itaú BBA.
O recente conflito no Oriente Médio adicionou um novo elemento de incerteza ao mercado, principalmente em relação aos custos logísticos e ao fluxo das exportações de carne bovina. Ainda que a região tenha menor relevância para esse segmento especialmente quando comparada ao mercado de carne de frango, os impactos indiretos reforçam a cautela entre os agentes do setor.
Do ponto de vista estrutural, no entanto, o ciclo pecuário avança para uma fase de menor oferta de animais para abate, o que tende a sustentar os preços do boi gordo. Ao mesmo tempo, a demanda global permanece firme, com destaque para a China, principal destino da carne bovina brasileira.

A expectativa é de que o país asiático mantenha forte ritmo de compras nos próximos meses, impulsionado pela necessidade de preenchimento de cotas de importação. Após esse período, a incidência de tarifas mais elevadas na casa de 55% pode reduzir a competitividade do produto brasileiro, o que deve influenciar a dinâmica do comércio internacional.
Ainda assim, especialistas destacam a importância da gestão de risco por parte dos produtores. A volatilidade recente evidenciou como fatores externos podem alterar rapidamente o cenário, tornando essencial o uso de estratégias de proteção de preços, especialmente em momentos de oportunidade no mercado futuro.
Outro ponto de atenção é o encarecimento da reposição, que segue como um dos principais desafios da atividade. A alta nos preços de animais jovens pressiona os custos de produção e exige, como contrapartida, valores mais elevados para o boi gordo ao longo dos próximos anos.
Nesse contexto, a adoção de estratégias de proteção se torna ainda mais relevante, sobretudo para produtores que trabalham com ciclos produtivos mais longos, garantindo maior previsibilidade em um ambiente marcado por incertezas e oscilações.
Fonte: Itaú BBA, adaptado pela equipe da Feed&Food.
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