O aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio passou a representar um novo fator de risco para a avicultura brasileira, ampliando as incertezas sobre exportações, custos de produção e formação de preços no mercado interno, aponta o Itaú BBA.
Responsável por cerca de 30% das exportações brasileiras de carne de frango, a região do Oriente Médio tornou-se o principal ponto de atenção para o setor. A depender da duração e da intensidade de eventuais restrições no transporte marítimo especialmente no Estreito de Ormuz, empresas podem ser obrigadas a redirecionar cargas, o que tende a elevar custos logísticos e aumentar prazos de entrega. Alternativas terrestres, além de mais caras, apresentam maior complexidade operacional, podendo limitar o fluxo de exportações para determinados mercados.
No Brasil, o cenário também inspira cautela. Embora exista, em tese, espaço para reajustes nos preços da carne de frango frente a outras proteínas, a incerteza quanto ao escoamento das exportações atua como um freio. Isso porque eventuais dificuldades no mercado externo podem elevar a oferta interna, pressionando as cotações e reduzindo a margem para altas.

A escalada das tensões no Oriente Médio tem contribuído para a elevação dos preços da energia, com impactos inflacionários mais amplos. Nesse contexto, insumos essenciais como soja e milho passaram a registrar alta, influenciados mais por expectativas e fatores macroeconômicos do que por desequilíbrios estruturais entre oferta e demanda.
Com isso, o espaço para novas quedas nos custos de ração um dos principais componentes da produção avícola torna-se mais limitado. Soma-se a esse cenário a indefinição em relação à segunda safra de milho, que segue no radar do mercado e pode influenciar os custos nos próximos meses, mesmo com projeções ainda apontando para uma boa produção.
Diante desse conjunto de fatores, o setor avícola deve enfrentar um período de maior volatilidade, exigindo atenção redobrada de produtores e exportadores frente às rápidas mudanças no ambiente global e doméstico.
Fonte: Itaú BBA, adaptado pela equipe da Feed&Food.
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