O mercado global de soja registrou alta e volatilidade ao longo de fevereiro, com valorização na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto, no Brasil, o avanço da colheita exerceu pressão sobre os preços internos. A combinação de fatores externos e domésticos marcou o comportamento do grão no período, em meio a incertezas climáticas e movimentações no comércio internacional, aponta o Itaú BBA.
Na CBOT, os contratos da soja apresentaram tendência predominantemente altista, acumulando valorização de cerca de 7% no mês, com a cotação atingindo US$ 11,24 por bushel. O movimento foi impulsionado, principalmente, pelo fortalecimento da demanda global, com destaque para expectativas de novas compras por parte da China. Sinais diplomáticos e declarações de autoridades norte-americanas sobre possíveis avanços em acordos comerciais contribuíram para elevar o apetite dos investidores, levando fundos a ampliarem posições compradas, mesmo diante de estoques globais considerados confortáveis.

No início de março, a alta do petróleo, em meio ao aumento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, reforçou a atratividade dos biocombustíveis, sustentando ainda mais os preços do óleo e influenciando positivamente o grão.
No Brasil, porém, o cenário foi distinto. Apesar do suporte externo, os preços domésticos recuaram ao longo de fevereiro, pressionados pelo aumento da oferta física com o avanço da colheita. Em Mato Grosso, principal estado produtor, a queda foi significativa: em Sorriso, a cotação do grão recuou cerca de 5%, para R$ 100 por saca.
No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, a irregularidade das chuvas ao longo de janeiro e fevereiro impactou o desenvolvimento das lavouras. O estado registrou volumes abaixo da média em diversas regiões produtoras, o que levou à revisão para baixo da produtividade média.
De acordo com a Emater, a produção de soja no Rio Grande do Sul para a safra 2025/26 está estimada em 19 milhões de toneladas, uma queda de 11% em relação à projeção inicial. Ainda assim, o volume representa um crescimento de 15% na comparação com a safra anterior.
Apesar das pressões regionais e da volatilidade internacional, o mercado segue atento à evolução da colheita no Brasil e aos desdobramentos da demanda global, fatores que devem continuar ditando o ritmo dos preços nas próximas semanas.
Fonte: Itaú BBA, adaptado pela equipe da Feed&Food.
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