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Custos da produção de leite voltam a subir no RS em março com alta de 1,7%

Silagem, concentrado e energia puxam inflação do setor, que já acumula 22,95% em 12 meses

Por Caroline Mendes | caroline@dc7comunica.com.br

Após dois meses de retração, os custos de produção do leite cru no Rio Grande do Sul voltaram a subir em março, com uma inflação de 1,7% no Índice de Insumos para Produção de Leite Cru (ILC), segundo relatório divulgado pelo Departamento Econômico da Farsul nesta terça-feira (6). Essa foi a primeira alta registrada em 2025.

Os principais responsáveis pela elevação foram a silagem, o concentrado, o sal mineral e a energia elétrica. Esses aumentos superaram a queda de 7% no preço dos fertilizantes, impactados pela valorização do real em fevereiro. Já o preço do petróleo caiu 4,6%, mas esse recuo ainda não se refletiu no custo final dos combustíveis pagos pelos produtores.

Com o resultado de março, o ILC reverte a tendência de queda registrada nos dois primeiros meses do ano e acumula inflação de 1,29% em 2025, valor próximo ao registrado pelo Índice de Inflação dos Custos de Produção (IICP), também calculado pela Farsul, que teve alta de 1,76% no período.

Um dos fatores de maior impacto segue sendo o milho, com aumento de 3,35% desde janeiro. Como a alimentação representa o maior peso na composição dos custos da atividade leiteira, a variação deste insumo é especialmente significativa.

Os principais responsáveis pela elevação foram a silagem, o concentrado, o sal mineral e a energia elétrica.

No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação do ILC chega a 22,95%, com aumentos expressivos em todos os principais itens da cesta de insumos: silagem (35,1%), concentrado (22,7%), fertilizantes (15,8%), sal mineral (12,6%), combustíveis (9,9%) e energia elétrica (3,3%). Com exceção da energia, todos esses insumos subiram mais do que o IPCA e o IPCA-Alimentos no mesmo período.

Segundo a Farsul, o cenário atual é de alerta para o produtor. Embora alimentos e energia tenham peso importante na inflação, há fatores estruturais — como o desequilíbrio fiscal — que mantêm a pressão sobre os custos de forma persistente, exigindo atenção redobrada na gestão da atividade.

Para abril, o relatório projeta queda no preço da soja e leve alta no milho. Com o câmbio estável e o petróleo em baixa, fertilizantes e combustíveis podem ter redução de preço, o que abre espaço para uma possível desaceleração da inflação no próximo mês.

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