Por Carol Mendes | carolmendesmosca@gmail.com
O preço do leite captado em março registrou aumento de 1,3%, alcançando R$ 2,8241 por litro na “Média Brasil”, segundo levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Em valores reais, o montante representa um avanço de 15% em relação ao mesmo mês de 2024. No entanto, o estudo destaca que o ritmo de valorização perdeu força em comparação aos meses anteriores.
A principal explicação para a desaceleração é o enfraquecimento da demanda por derivados lácteos na ponta final da cadeia. Pesquisas realizadas pelo Cepea em parceria com a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostram que a retração no consumo limitou as negociações entre indústrias e canais de distribuição durante o mês de março.

Outro fator que pressiona o mercado é o volume de importações. Embora as compras externas tenham recuado 14,8% no mês, o acumulado do primeiro trimestre de 2025 ainda está 5,4% acima do registrado no mesmo período do ano anterior, o que mantém a concorrência acirrada com os produtos nacionais.
No campo, a oferta de leite se manteve praticamente estável, com o Índice de Captação de Leite (ICAP-L) registrando queda de apenas 0,2% na “Média Brasil”. A produção foi favorecida por clima propício, silagem de qualidade e melhores margens, o que incentivou investimentos, mesmo diante de custos de alimentação elevados.
Para os próximos meses, o setor projeta um cenário incerto. Com a oferta ainda resistente à entressafra, o consumo pressionado e a rentabilidade industrial em queda, há possibilidade de recuo nos preços pagos ao produtor no segundo trimestre. O ambiente é de cautela e imprevisibilidade, o que tem alimentado especulações e elevado o nível de incerteza no mercado lácteo.




